Sabaúna recebe exposição de arte naïf produzida por mulheres de todo o país
A exposição nacional de arte naïf ‘Face de Todas as Cores’ acaba de chegar ao Espaço Maria Fumaça Casa, em Sabaúna, Mogi das Cruzes. Lançada na semana em que foi celebrado o Dia Internacional da Mulher, a agenda celebra a “autonomia, liberdade de expressão” e a “emancipação do corpo, ideias e posicionamentos políticos” da “mulher […]
10/03/2022 11h45, Atualizado há 688 meses
A exposição nacional de arte naïf ‘Face de Todas as Cores’ acaba de chegar ao Espaço Maria Fumaça Casa, em Sabaúna, Mogi das Cruzes. Lançada na semana em que foi celebrado o Dia Internacional da Mulher, a agenda celebra a “autonomia, liberdade de expressão” e a “emancipação do corpo, ideias e posicionamentos políticos” da “mulher do século XXI”, que “deixou de ser coadjuvante para assumir um lugar diferente na sociedade”, com mais “voz ativa”.
Planejada para 2021, mas adiada devido a pandemia de 2019, a mostra demonstra na arte “a força e o espaço que a mulher vem conquistando em todas as áreas”. Para o evento, o Maria Fumaça formatou uma parceria com a Casa Ateliê Enzo Ferrara, que fez a curadoria, e com o Acervo sem Parede, que cedeu algumas obras.
Todas as telas, sem exceção, são “produzidas por artistas mulheres representantes de vários estados brasileiros. A ideia é “formar um mosaico da identidade cultural do país”. Para compor a agenda, a curadoria está planejando uma live com as artistas. Será “um bate papo informal, em data a ser definida, para que o público possa conhecê-las e conferir um pouco mais de cada trabalho”.
“São mulheres que representam quase todas as regiões do Brasil, onde a arte naïf tem uma relação histórica e cultural com a cidade, valorizando o trabalho de mulheres que muitas vezes, não são reconhecidas por sua arte e atuação”, explica Marineis Dias, que defende temas ligados a cultura popular, como o samba, espiritualudade e o carnaval em torno da estação de Sabaúna.
É claro que, além de homenagear o dia das mulheres, a exposição “tem um papel muito mais importante nesse momento, que é dar visibilidade ao trabalho das artistas, pela qualidade estética, talento, inovação e representação da cultura brasileira através do olhar de cada uma. Se refere a face feminina universal, o olhar de todas as mulheres, o pensamento, o sentir, as dores e o seu viver, banhados na história de lutas e conquistas”.
Exemplos são as artistas Ana Denise, que mora em Aracaju e retrata em suas obras a cultura e o folclore do Sergipe, como a cerâmica utilitária; Elsa Farias, Marinilda Boulay e Rosangela Politano, de Socorro, que retratam a cultura popular da região do interior de Sâo Paulo; Dulce Martins, que vive em Santos e retrata as cores e folclore da cidade em suas obras de cores vivas.
Não para por aí. Angela Gomes, que é produtora cultural, retrata em suas obras a cultura do entorno de Vitória no Espírito Santo, como as procissões marítimas; Helena Rodrigues, moradora do Rio de Janeiro, pinta temas com vista para o mar, principalmente a praia de Copacabana, bairro onde vive; Carminha registra a raiz cultural da região do cerrado, a as tradições de regiões do entorno de Palmas no Tocantins.
Tem também Con Silva, de Batatais, no interior do Estado, que representa a cultura afrobrasileira em pinturas muito coloridas e cheias de detalhes; Raquel Gallena, diretamente de Embu das Artes, com pinturas muito coloridas e com uma característica quase infantil; Carmezia Emiliano, índia da etnia Macuxi que vive em Boa Vista, capital de Roraima, e homenageia a cultura indígena.
E a lista continua. Helena Vasconcelos retrata em suas obras a cultura popular de Goiás; Fátima Camargo, de São José do Rio Pardo, apresenta personagens com rosto redondo e bochechas rosadas em temas ecológicos; Eliana Martins, de Belo Horizonte, enche a tela – e os olhos -com temas urbanos e coloridos.
Artistas mogianas não poderiam faltar, e por isso as irmãs Doralice e Wilma Ramos participam com obras que retratam temas locais, porém diferentes entre si. Enquanto Doralice gosta de traços ligados à infância, como brincadeiras e jogos infantis; a saudosa Wilma Ramos tem como característica a cultura popular, como as baianas com saias de estampa de chita.
E há obras do Acervo sem Parede, como as das das artistas Yrani Calheiros, de Embu das Artes, e Carmela Pereira, de Piracicaba, com retratos da figura da mulher em suas relações afetivas e a mulher na cultura afrobrasileira.
Também há espaço para uma homenagem à Thie (Teresinha Sordi), de São José do Rio Preto, que faleceu em 2021, vítima da Covid-19. Sua pintura com cores frias convida o público a refletir sobre outro ponto de vista, se colocando no lugar do personagem retratado, como em uma crucificação.
Por fim, um bônus: a participação de uma artista latinoamericana, a peruana Úrsula Ponce de Leon Villasante. Ela é a única a não seguir o estilo naïf, e segue como inspiração o Sagrado Feminino e Arte Cósmica. Já expôs no Brasil, em 2016, quando trouxe para a Estação Cultural Sabaúna a exposição ‘Arte de Sanacion’
A mostra ‘Face de Todas as Cores’ está em cartaz no Espaço Maria Fumaça Casa, ao número 8 da rua Capitão Francisco de Melo e Souza, em Sabaúna. Outras informações estão disponíveis nas redes sociais da casa ou pelo WhatsApp (11) 9.7198.0775.