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Revolucionária, a impressão 3D já está em Mogi

Imagine uma tecnologia com a qual é possível criar o que quiser, desde ferramentas à itens de decoração, passando por peças para as máquinas mais diversas e chegando aos utensílios que servem a propósitos únicos e específicos. Isso existe: é a impressão 3D, um “nome genérico para um processo muito mais fino chamado manufatura aditiva, […]

Por O Diário
12/02/2023 15h00, Atualizado há 688 meses

Imagine uma tecnologia com a qual é possível criar o que quiser, desde ferramentas à itens de decoração, passando por peças para as máquinas mais diversas e chegando aos utensílios que servem a propósitos únicos e específicos. Isso existe: é a impressão 3D, um “nome genérico para um processo muito mais fino chamado manufatura aditiva, que é o futuro da manufatura”.  E ela está mais próximo do que se imagina, em Mogi das Cruzes (com direito a oficina gratuita no Sesc Mogi – leia na página ao lado), servindo como uma nova forma de arte.

“É um processo em que você, a partir de modelos 3D feitos em programas de computador, trabalha a geometria das peças que acabou de criar para que seja entendível para as impressoras propriamente ditas”, começa a explicar o mogiano Gustavo Oliveira, que é desenvolvedor de games desde 1999, trabalha com esta técnica e se considera um “entusiasta de novas tecnologias e produção”. 

Ele continua, dizendo que “três processos” resumem a coisa toda: “A parte da modelagem, que é onde são feitas tanto peças técnicas como artísticas; a parte do ‘fatiamento’, que é onde vai realmente transformar o que é malha 3D, personagem, ferramenta, peça, o que quer que seja, em algo que possa ser manufaturado pelas máquinas; e a impressão propriamente”.

Quando a reportagem de O Diário perguntou o que seria possível fazer com impressão 3D, Gustavo riu. “É melhor fazer a outra pergunta: o que não dá para fazer?”, devolveu ele, que mostra não haver limites. “Até nave espacial, navio e ferramentas de uso real”, lista.

Seria possível então fazer um instrumento funcional a partir dos filamentos plásticos usados pelas impressoras? Sim. E o especialista prova o que diz, enviando foto de uma guitarra feita por ele próprio, na cor verde (veja abaixo), usando cerca de 1kg de polímero, o que levou aproximadamente 30 horas de impressão.

Gustavo mostra que a arte não se traduz somente no produto final, como no caso da guitarra. Todo o processo é artístico. Ele, por exemplo, modelou no computador uma peça do artista Emanoel Araujo, artista plástico e curador do Museu Afro Brasil, que faleceu em 2022. Quando impresso, o protótipo serviu de base para uma versão em tamanho real, feita de aço.

Embora ainda seja cara e muitas vezes inacessível, o mogiano enxerga um futuro não muito distante, de talvez 10 anos, para que esta tecnologia esteja “na casa das pessoas”. “O preço está caindo a coisa vai se tornar acessível. Acho que primeiro vai ser disponível em empresas/hubs de impressão, em que seja possível imprimir arquivos baixados da internet ou personalizados, e depois isso vai se domesticar”.

E ele fala também o que não dá para negar. É uma novidade que “pode mudar a vida das pessoas”, como em aplicações na área médica ou próteses, a exemplo de outro profissional de Mogi, Bruno Bartos, que “faz próteses e moldes para operações faciais grandes, para grupos odontológicos”. 

Mas, de volta à arte, a impressão 3D é uma ferramenta e deve ser enxergada como um novo leque de possibilidades, inclusive para artistas e artesãos. “Nada impede que algo seja impresso para que depois venha o acabamento, ou para que vire molde em aço, como se faz em fundação tradicional. Pode ser maravilhoso para a prototipação e conceito também”, continua Gustavo.

O especialista lembra que, naturalmente, a modelagem em 3D já exige capacidades artísticas e criativas. “O grande lance é esse. Imagina o pessoal que faz artesanato super manual podendo fazer algumas partes customizadas para colocarem na peça de design”.

E as ideias não param por aí. Gustavo desenvolve games, softwares e simuladores digitais. Em um destes projetos, criou uma espécie de tapete com números, que é usado para que os participantes corram e dancem em cima, se exercitando de maneira divertida. Em outro, recriou o clássico brinquedo Genius, para ser manipulado com os pés (veja fotos abaixo).

Embaixo de ambos há uma série de elementos criados em impressão 3D.
“Estou há pelo menos uns quatro anos trabalhando com isso, mas em Mogi tem dois caras muito bons, o já citado Bruno Bartos e o Paulo de Ré, que são pioneiros. Meu trabalho é diferente deles: eu uso em projetos específicos, como um simulador de empilhadeira que reproduz em 3D as empilhadeiras e a planta das indústrias”, finaliza ele, que encaixa muito bem um clichê para resumir tudo isso: “O céu é o limite”.

 

Oficina no Sesc Mogi oferece introdução à tecnologia

Já começou, na última quinta-feira (9), uma oficina gratuita no Sesc Mogi que oferece iniciação ao universo da impressão 3D. São cinco encontros ao longo de um mês de atividades, que consistem em quatro pilares: “técnicas de desenho e produção digital em software open source; preparação dos objetos e definição de parâmetros para impressão; características e escolha dos materiais disponíveis; além de calibração e manutenção de impressoras 3D do tipo FFF”.

Sempre às quintas-feiras, das 19 às 21 horas, os alunos, que devem ter 14 anos ou mais e conhecimentos básicos de informática, vão modelar, ‘fatiar’ e imprimir um suporte universal para celular. O objeto foi o escolhido pela empresa de Mogi que oferece o curso, Zaxis Tools e também pelo professor mogiano Marcelo Vendramini, da OTTO3D, por ter um tamanho que se encaixe dentro do cronograma de encontros.

“É algo iniciante, focado em preparar uma peça simples, mas que aborda conceitos de modelagem e princípios de manufatura e depois fatiamento e impressão. Queremos gerar curiosidade para que os participantes busquem mais informações”, dizem os organizadores.

“Vamos passar pelos três processos, oferecendo uma visão geral do que é o processo todo da concepção até a produção de uma peça em 3D, depois como fazer a modelagem e o fatiamento, que é preparar o arquivo modelado para que seja compreendido pela impressora, e então imprimir realmente. Durante os encontros, os alunos vão perceber os próprios erros e vão então melhorar o que for preciso. Todas as nuances serão abordadas”, concluem, sobre o cronograma de atividades.

A participação é gratuita e haverá distribuição de senhas na portaria 30 minutos antes do início de cada encontro, que acontece sempre no Espaço de Tecnologias e Artes do Sesc Mogi, ao número 118 da rua Rogerio Tacola, 118, no bairro Socorro. Mais informações estão disponíveis neste link: https://www.sescsp.org.br/programacao/descobrindo-a-impressao-3d/.

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