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Rapper mogiana, Karen Santana lança “Dengos e Marés” e entrega transição sem perder raiz

O conjunto – ritmo, letra, sonoridade, tom de voz, poesia casada com  ir e vir das ondas do mar, o ciclo iniciado pelo verão de 2023 e o mundo laçado pela pandemia, porém, também com a retidão da obra combativa, diversa e contemporânea de quem tem o olhar para si e para o outro quando […]

Por O Diário
15/03/2023 11h34, Atualizado há 688 meses

O conjunto – ritmo, letra, sonoridade, tom de voz, poesia casada com  ir e vir das ondas do mar, o ciclo iniciado pelo verão de 2023 e o mundo laçado pela pandemia, porém, também com a retidão da obra combativa, diversa e contemporânea de quem tem o olhar para si e para o outro quando narra cotidiano, verdades, violências, desejo e interpreta frações de um tempo. Aqui pode estar uma leitura da experiência musical e sensorial que a rapper mogiana Karen Santana oferta em seu mais novo EP, Dengos e Marés, disco costurado a partir do rap (com letras que fisgam e não se distraem: “Estou tão leve… mas sou minha”) e janelas abertas a referências próprias que observadores e seguidores não deixarão escapar, ou seja, o multifacetado universo da música daqui, do Brasil e do mundo.

O EP foi lançado em fevereiro, com 8 faixas, no meio do verão, na entressafra do Carnaval, de aberturas concedidas pela pandemia e descidas para ver o mar da cabocla Janaina.

Celebra, ainda, a chegada ao 10º ano da carreira iniciada em 2013, quando ela era backing vocal da banda de reggae O Clã Roots.

As canções deste trabalho refletem esse estado de vida e coisas e transitam para uma mudança na trajetória e expressão de Karen Santana, como ela mesmo conta, em áudios gravados para esta entrevista, com o cuidado de falar, sobretudo, com seus fãs e público. Tem brisa, sedução, romance, “vrum-vrum-vrum”, mas limita o respeito a si mesma (o).

“Quando eu comecei a compor música, eu não escrevia só Rap, mas paralelamente eu escrevia MPB, pop rock, outros ritmos também, eu flertava com ritmos tradicionais do Brasil, sempre gostei de experimentar a escrita em diversos ritmos, a minha referência de música, é sempre muito diversa, assim como o Brasil”, indica.

Do início da carreira até aqui, alinhava a compositora, “existia uma construção da identidade da Karen, quando eu comecei a gravar e a expandir a minha música, eu vim de um grupo, As Lavadeiras, que unia o Rap, o Maracatu, os brincantes, já foi um tipo de música que já era misturado”

“Eu precisei soltar só do rap, para poder trazer essa Karen que é diversa, que sempre existiu, que compõe samba, MPB e R&B. Saio  saio de dois discos que têm o Boompap, trap, rap direto, mais combativo, e, com ‘Dengos e Marés’, venho trazer essa coisa mais melodiosa, mais cantada, a introdução de outros instrumentos, como o contrabaixo, a guitarra, para levar o público à diversidade”.

Na obra Mutirão, acrescenta ela, o experimento principia a abertura sonora e musical. “Dengos e Marés é um disco que está ainda sendo processado, imagina se já coloco direto um MPB, ou bolero. É essa a proposta de transição. O que vem é diferente do que as pessoas estão acostumadas, até na forma de escrita”, introduz. 

Na escuta da músicas disponíveis em várias plataformas, lê-se a alma de Karen, da transição, do grito por leveza em sintonia com os pés calcados em um espaço já construído por ela, dentro do rap, de sua obra.

A mesma Karen que, em Sol em Leão, fala de temáticas como a mulher, direito, casamento (‘Ninguém respeita a presença de mulher/até eu disparar na têmpora’), mantém levante de significado temporal nobre – ‘No mar, sou tecido azul/Sou maré, sou minha’, de Energia Azul, ou ainda, em “Eu sou quente, quente, vou seguir bem adiante”, e também: “Dizem que o amor é coisa séria/mas também quero diversão”.

Dentro desse envolope musical, novo, feliz, tem respiro. O registro e aquarela da artista Fernanda Pereira cuidam de acentuar o entendimento da rapper. Estão lá, o azul bebê, o rosa clarinho. Porém, o legado não perde terreno, como ela mesmo conceitua: “O que me inspirou foi o respiro musical que às vezes é muito bom, para a nossa alma, mente, o nosso sentir. O verão 2023 é um marco histórico, a gente vem de uma pandemia, de traumas por diversas coisas, eu quis trazer (propor) esse descanso”.

O trabalho reúne nomes como Dro, Dj Palazi, Cynthia Santos, Queronemsabe e Babidi.

Por certo, não se trata seguir o já vivido, nem desmontá-lo, mas de acrescentar, singrar mar, respeitando a genuidade construída na última década de criações, shows e parcerias, como encerra a artista: “Gosto de escrever de forma combativa, gosto de fazer as pessoas pensarem, de ser combativa, mas eu aprendi que a música tem que fazer você pensar de outra forma, eu ouço rap para organizar minhas ideias e emoções. Eu queria que as pessoas sentissem e pensassem seus afetos, tivessem trilhas para o seu momento de afeto, em histórias diferentes, sai das minhas histórias, da ‘egotrip’, passei a observar casais e escrevi uma trilha sonora diferente”.

Vale findar com o convite: “Que rico, que rico/Deixa o baile aceso/amanhã eu te quero mais cedo”

VEJA TAMBÉM: A mogiana esculpe a carreira com passagens por bandas como O Clã Roots e As Lavadeiras, como O Diário tem acompanhado (lembre aqui).

Para ouvir Karen Santana, em seu novo trabalho, acesse:

Dengos e Marés – YouTube

Dengos e Marés – Spotify 

Dengos e Marés – Deezer  

O que tem Dengos e Marés

1 – Energia Azul [Prod. Dro / Dj Palazi]

Composição e intérprete: Karen Santana

Instrumental: Dro, Dj Palazi

Baixo: Cynthia Santos

Mix e mister: Dj Palazi

Arte da capa: Fernanda Pereira

2 – O amor transgride [Prod. Dj Palazi]

Arte da capa: Fernanda Pereira

Instrumental/Mix e Master: Dj Palazi

Letra e voz: Karen Santana

3 – Amor de verão [Prod. Dj Palazi/ Cynthia Santos]

Arte da capa: Fernanda Pereira

Instrumental/ Mix e Master: Dj Palazi

Guitarra e contrabaixo: Cynthia Santos

Letra e voz: Karen Santana

4 – Dry Martini [Prod. Dj Palazi]

Arte da capa: Fernanda Pereira

Instrumental / Mix e Master: Dj Palazi

Letra e voz: Karen Santana

5 – Sinastria Falha [Prod. Dj Palazi]

Arte da capa: Fernanda Pereira

Instrumental / Mix e Master: Dj Palazi

Letra e voz: Karen Santana

6 – À primeira vista [Prod. Queronemsabe]

Arte da capa: Fernanda Pereira

Instrumental: Queronemsabe

Letra e voz: Karen Santana

7 – Amor de chão benzido [Prod. Babidi / Dj Palazi]

Arte de capa: Fernanda

Instrumental: Babidi e Dj Palazi

Letra e voz: Karen Santana

8 – Gitanito [Prod. Dj Palazi]

Arte da capa: Fernanda Pereira

Instrumental: Dj Palazi

Voz e letra: Karen Santana

 

 

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