Ingresso para concerto sobre partituras antigas de Mogi pode ser retirado no Sesc nesta terça
A partir das 14 horas de hoje (6) poderão ser retirados os ingressos para a participação em uma aula concerto que marca o lançamento do livro “As Solfas de Mogi das Cruzes: edição musical e apontamentos históricos”, escrito após pesquisas feitas pelo historiador Odair de Paula e maestro musicólogo Rubens Ricciardi, no projeto “Manuscritos Musicais […]
05/09/2022 17h53, Atualizado há 689 meses
A partir das 14 horas de hoje (6) poderão ser retirados os ingressos para a participação em uma aula concerto que marca o lançamento do livro “As Solfas de Mogi das Cruzes: edição musical e apontamentos históricos”, escrito após pesquisas feitas pelo historiador Odair de Paula e maestro musicólogo Rubens Ricciardi, no projeto “Manuscritos Musicais do Brasil Colonial – Século XVIII”, do músico e produtor Déo Miranda.
Selecionado pelo Rumos Itaú Cultural 2019-2020, o projeto viabilizou o estudo de 11 fragmentos de obras, dando origem ao livro que será lançado juntamente com uma aula concerto nesta quinta-feira (8) na Igreja da Ordem Primeira do Carmo, no centro, de onde as partituras antigas foram resgatadas.
No evento serão apresentadas as obras do Século XVIII que foram encontradas na Igreja da Ordem Primeira do Carmo, além de outras do mesmo período, a partir da pesquisa de Odair Aparecido de Paula e Rubens Russomanno Ricciard, com produção e organização de Déo Miranda.
Contemplado pelo edital Rumos Itaú Cultural 2019-2020, os participantes do projeto As Solfas de Mogi das Cruzes: edição musical e apontamentos históricos, fizeram novas pesquisas histórico-musicológicas, bem como um novo processo editorial envolvendo, pela primeira vez, a íntegra dos papéis de música de Mogi das Cruzes, hoje reconstituíveis, contendo as obras musicais mais antigas de que se tem notícia no Brasil.
A maior parte das solfas (papéis de música) foi achada, em 1984, pelo historiador Jaelson Bitran Trindade, tendo sido responsável pelos estudos iniciais biográficos sobre os antigos mestres músicos de Mogi das Cruzes. Outros dois nomes foram relevantes para o achamento dessas obras musicais e as pesquisas que vieram a seguir: os historiadores mojianos Jurandyr Ferraz de Campos (Caçapava, 1936 – Mogi das Cruzes, 2019) e Isaac Grinberg (Mogi das Cruzes, 1922-2000).
O primeiro musicólogo que trabalhou com os manuscritos, Régis Duprat (1930- 2021), disse à época, em relação à história da música brasileira, que seus “marcos cronológicos foram agora antecipados de pelo menos 30 anos”. “O Recitativo e Ária” (1759), de autor anônimo da Bahia, era tido até então como a mais antiga obra musical brasileira conhecida, cujo primeiro estudo também esteve a cargo de Régis Duprat. Por fim, as solfas de Mogi das Cruzes foram ainda objetos de estudos de outros dois musicólogos, Paulo Augusto Castagna (2002) e Diósnio Machado Neto (2004).
Provavelmente, as solfas remontam ao final dos anos 20 e início dos anos 30 do século XVIII, se levarmos em consideração a atuação de Faustino do Prado Xavier (1708-1800) como mestre de capela, a partir de 1729, tanto na Matriz de Santana, como entre os carmelitas mogianos e nas demais igrejas e capelas do termo da Vila de Santana das Cruzes de Mogi.
Nas solfas, infelizmente, não há indicação de local nem data. Não obstante, a investigação historiográfica, neste livro a cargo do historiador Odair Aparecido de Paula, resultou em novos apontamentos incluindo documentos inéditos ilustrados por iconografias coloniais, elencando cronologicamente os músicos do período, tais como Tomé Pimenta de Abreu (Mogi das Cruzes, ca. 1685 – São Paulo, 1739), Timóteo Leme do Prado (Sorocaba, 1778) e Ângelo do Prado Xavier (Mogi das Cruzes, 1712 – São Paulo, 1769), este último irmão mais novo de Faustino.
Em material divulgado à imprensa, destaca-se a afirmação: “Sabemos hoje, com boa segurança, que todos estes citados mestres mogianos (exceto Timóteo Leme do Prado) estudaram música no Convento da Ordem Primeira de Nossa Senhora do Carmo em Mogi das Cruzes. Nos estudos musicológicos deste livro, por sua vez, destaca-se ainda o frei carmelita Manuel Cardoso (1566-1650), compositor português do século XVII, por certo um dos paradigmas aos processos composicionais que envolvem algumas das solfas de Mogi das Cruzes”.
Além da edição crítica que pela primeira vez reúne todas as obras possíveis de serem reconstituídas, as solfas estão sendo publicadas aqui pela primeira vez em fac-símile.
O leitor interessado poderá visualizar as obras em duas versões: – 1) a configuração original com a reprodução de suas fontes primárias, beneficiando o trabalho de outros historiadores e musicólogos em pesquisas futuras e 2) a nossa edição das grades (partituras) e partes (instrumentos e vozes individuais) para a práxis musical de hoje em notação moderna.
O processo editorial das solfas contempla, em alguns casos, uma poética de inserção de partes que faltavam, transformando o que antes talvez só pudesse ser apreciado enquanto estética de ruína, dada a condição deteriorada ou mutilada de alguns manuscritos e números musicais, agora em repertórios viáveis para novas gravações e concertos, mantida a integridade de sua linguagem artística.
O maestro Rubens Russomanno Ricciardi, da USP de Ribeirão Preto, assina toda pesquisa e edição musical, com a assistência de Lucas Pigari, viabilizando novos caminhos poético-editoriais na reconstrução de nossa memória colonial.
Quando o mogiano Faustino do Prado Xavier anotou “finis coronat opus”, ou seja, “o fim coroa a obra”, ao encerrar algumas partes da Ladainha de Nossa Senhora, mal sabia ele que, passados quase três séculos, esta obra e as demais solfas de Mogi das Cruzes seriam o coroamento de toda uma pesquisa pelas origens mais primordiais da música no Brasil. Essas informações estão no prefácio do livro, assinado por Déo Miranda.
Rumos Itaú Cultural
Um dos maiores editais privados de financiamento de projetos culturais do país, o Programa Rumos, é realizado pelo Itaú Cultural desde 1997, fomentando a produção artística e cultural brasileira. A iniciativa recebeu mais de 75,8 mil inscrições desde a sua primeira edição, vindos de todos os estados do país e do exterior. Destes, foram contempladas 1,5 mil propostas nas cinco regiões brasileiras, que receberam o apoio do instituto para o desenvolvimento dos projetos selecionados nas mais diversas áreas de expressão ou de pesquisa.
Os trabalhos resultantes da seleção de todas as edições foram vistos por mais de 7 milhões de pessoas em todo o país. Além disso, mais de mil emissoras de rádio e televisão parceiras divulgaram os trabalhos selecionados.
Na última edição, de 2019-2020, os 11.246 projetos inscritos foram examinados, em uma primeira fase seletiva, por uma comissão composta por 40 avaliadores contratados pelo instituto entre as mais diversas áreas de atuação e regiões do país. Em seguida, passaram por um profundo processo de avaliação e análise por uma Comissão de Seleção multidisciplinar, formada por 23 profissionais que se inter-relacionam com a cultura brasileira, incluindo gestores da própria instituição. Foram selecionados 90 projetos. Entre eles As solfas de Mogi das Cruzes – edições musicais e apontamentos históricos
Serviço
As Solfas de Mogi das Cruzes e a Música Colonial Brasileira
Concerto e lançamento do livro
Mogi das Cruzes
Livre – Retire seu ingresso a partir das 14h do dia 6/9, no Sesc Mogi das Cruzes. Limite para a retirada por pessoa: dois ingressos.
Evento: Igreja da Ordem Primeira do Carmo [Rua São João – Centro, Mogi das Cruzes]
08/09 • Quinta • 20h00