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Gloria Groove conquista o Brasil e prepara carreira internacional

“Licença aqui, patrão, deixa eu me apresentar. Sou Gloria Groove do Brasil, eu vim pra ficar!”. Seis anos após o lançamento desses versos, que fazem parte da música “Dona”, Gloria Groove comprovou que sim, veio para ficar. Se no início da carreira a drag queen era ouvida e assistida por fãs majoritariamente vindos do público […]

Por O Diário
30/07/2022 10h40, Atualizado há 689 meses

“Licença aqui, patrão, deixa eu me apresentar. Sou Gloria Groove do Brasil, eu vim pra ficar!”. Seis anos após o lançamento desses versos, que fazem parte da música “Dona”, Gloria Groove comprovou que sim, veio para ficar. Se no início da carreira a drag queen era ouvida e assistida por fãs majoritariamente vindos do público LGBTQIA+, agora, ela rompeu barreiras e é sucesso nos mais diversificados nichos. A cantora sonha agora em conquistar o mundo – o que não parece tão distante – e conversou com a reportagem de O Diário antes do show que realizou em Suzano, no último dia 23.

Na própria apresentação realizada na cidade do Alto Tietê foi possível ver essa diversidade no público que gosta e prestigia Gloria. Na plateia, pessoas de todas as idades, gêneros, orientação sexual e até mesmo crianças que cantavam e dançavam todas as músicas. E a Região tem um valor especial para a cantora, que é da Vila Formosa, um distrito na Zona Sul de São Paulo, onde mora até hoje. Mas, às vezes, ela está bem longe, como neste mês, que fez uma tour com seis shows na Europa.

“Voltar da Europa e fazer esse show em Suzano é a volta perfeita. Meu sonho era voltar pro Alto Tietê depois de já ter estreado a tour. Quando vim para cá (em março, para um show em Itaquaquecetuba), eu ainda não tinha feito o Lollapalooza e é muito simbólico voltar da Europa e vir direto para o extremo leste, sendo a Lady Leste. É quase como um aviso para eu botar o pé no chão e voltar para a casa em grande estilo”, comenta a cantora.

E o Alto Tietê tem um valor ainda maior para GG. No balé que a acompanha, três suzanenses representam muito bem a Região: Flávia Lima, Fernanda Pinheiro e Tati Saito. Elas sobem ao palco para dançar e acompanhar a cantora e tiveram a oportunidade de se apresentar “em casa”.

“Levar algumas pessoas de Suzano na minha equipe é uma sensação que me enche de orgulho. Eu tenho um carinho muito grande por elas, pelo o que elas fazem e elas tornam essa experiência Lady Leste ainda mais real”, afirma Gloria, que ao final do show apresentou as meninas para um público que aplaudiu muito as bailarinas.

Por mais que ame o lado leste de São Paulo e todo o Brasil, a artista também sonha com o alcance internacional e sabe da possibilidade de ter uma carreira consolidada lá fora. Nessa última tour pela Europa fez shows em Portugal, Inglaterra, Espanha, Irlanda, Suíça e França. E mesmo que muitos brasileiros tenham prestigiado as apresentações, GG sabe que tem chegado  aos ouvidos estrangeiros.

“Olha, sinceramente, eu vejo isso (a carreira internacional) hoje como algo sem limites, porque eu fiz shows incríveis fora do país e, por mais que a gente se depare muito mais com o público de brasileiros – que estão a fim de conferir esse trabalho que eles conhecem pela internet e querem matar a saudade da cultura do nosso país, geralmente a galera sente muita saudade da nossa música, da nossa curtição aqui – dá para ver também como isso está se disseminando entre os nativos. É como se eu abrisse o mercado por meio da língua e existe a possibilidade de fazer uma grande carreira consolidada e eu fico muito feliz com essa possibilidade, eu admito que é uma coisa com a qual eu sonho todos os dias”, confessa a cantora.

Mas, para isso Gloria acredita que precisa ter paciência e entender todas as etapas. “Eu só realmente respeito meu tempo para saber que quando for a hora de fazer isso eu vou saber fazer do jeito certo. Eu posso dizer que eu me divirto muito levando as músicas que mudaram minha vida, que construíram minha carreira aqui, para lá e ver como que eles reagem a isso tudo e ver como essa sensação é capaz de atravessar o oceano, literalmente”, completa.

Diversidade
Quando se fala em estilo musical, é difícil definir a obra de Gloria. Ela mesma não gosta de se limitar. No início da carreira, o hip hop era marcante nas músicas, no estilo e em toda a identidade visual da drag queen. Mas agora, é possível dizer que ela se reinventa a cada trabalho. Tudo isso muito bem pensado, não apenas para agradar ao público, mas também para que ela não se canse do que faz e continue curtindo cada etapa da carreira.

Toda essa diversidade é fruto de uma vivência muito rica. A mãe de Gloria, Gina Garcia, dificilmente não é citada nas entrevistas da Lady Leste. Gina é hoje backing vocal do grupo Raça Negra, mas já trabalhou com outros artistas de renome, como Gian & Giovanni e Glória Gaynor.

“Eu amo muito várias coisas (na música), eu tive a sorte de ser banhada de culturas diversas e de ter referências das mais múltiplas na minha vida, desde a minha mãe cantora, até minha experiência com teatro musical, dublagem, o hip hop e R&B que eu sempre gostei. Então, eu gosto de dizer que quando estiver se tornando previsível eu já quero mudar de novo. Eu gosto de ter essa brincadeira com o público de sempre mostrar uma nova versão de mim”, explica GG.

Para encontrar essas referências e toda essa diversidade, não precisa ir muito longe. No próprio álbum Lady Leste, que é composto por 13 faixas, Gloria apresentou parcerias com artistas de diferentes estilos. Na faixa “SFM”, o feat é com Hariel, do funk, assim como MC Tchelinho, que canta com ela em “Fogo no Barraco”. O pop foi representado por Marina Sena, em “Apenas Um Neném” e Priscilla Alcantara, em “Sobrevivi”. As irmãs Tasha & Tracie cantam com GG o rap “Pisando Fofo”, enquanto há ainda um pagode com o Sorriso Maroto, intitulado “Tua Indecisão”.

Nas outras faixas, Gloria canta sozinha e se divide entre o funk e o pop, com músicas que fizeram grande sucesso com o público, como é o caso de “A Queda”, que foi ouvida mais de 140 milhões de vezes no YouTube; “Bonekinha”, com 73 milhões de views; “Leilão”, com 61 milhões e “Vermelho”, com quase 60 milhões.

“Eu costumo de dizer que a música é muito ilimitada e eu brinco com a vestimenta como eu brinco com a música, eu visto um novo cabelo como visto um novo estilo musical. Então, isso ajuda nessa metamorfose constante e me agrada muito porque eu nunca enjoo de fazer o que estou fazendo. Quando enjoei dessa parada eu consigo pular para outro canto”, comenta a artista. Ela pula e arrebata muitos fãs.

Em seu EP “Affair”, de 2020, Gloria apostou no R&B, ritmo com o qual já tinha trabalhado antes, como em “Apaga a Luz”, de 2018. Mas o estilo deve voltar a aparecer nas próximas criações da arista, que tem muitos outros planos para os lançamentos futuros.

“Algumas estéticas que sou muito apaixonada e que eu gostaria muito de reproduzir ainda são coisas parecidas com o teatro musical que foi de onde tirei minha drag. Quero brincar muito dentro do próprio R&B ainda, gostaria de explorar mais o pagode, mais do que já explorei com o Thiaguinho e com a Ludmilla. Eu acredito que vai ser enriquecedor para todo mundo, para mim e para o público, eu me jogar em diversos estilos sendo um artista como esse”, finaliza.

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