Diário Logo

Encontre o que você procura!

Digite o que procura e explore entre todas nossas notícias.

NULL NULL

Fotógrafo mogiano Claudio Gatti retrata home office de grandes executivos

A pandemia ainda estava no começo quando o mogiano Claudio Gatti, 49 anos, se viu diante de um dos maiores desafios de sua carreira de fotógrafo especializado em captar imagens pouco comuns de empresários para revistas de circulação nacional: mostrar como se comportavam e trabalhavam alguns dos principais homens de negócios de São Paulo, enquanto […]

Por O Diário
23/07/2021 12h43, Atualizado há 688 meses

A pandemia ainda estava no começo quando o mogiano Claudio Gatti, 49 anos, se viu diante de um dos maiores desafios de sua carreira de fotógrafo especializado em captar imagens pouco comuns de empresários para revistas de circulação nacional: mostrar como se comportavam e trabalhavam alguns dos principais homens de negócios de São Paulo, enquanto buscavam se isolar ao máximo para fugir da contaminação pelo novo coronavírus, uma ameaça que começava a mostrar o seu devastador potencial.

Gatti pensou por alguns segundos e logo aceitou ideia do amigo João Faria, da Rádio Estadão, que acabaria por se tornar seu parceiro no projeto de registrar a rotina de 50 executivos em home office, juntamente com Fernanda de Carvalho, do Instituto Lado a Lado Pela Vida. João Kulcsar, que já foi curador da exposição de Cartier Bresson no Brasil, foi convidado e aceitou assumir a curadoria do projeto, que passou a ser patrocinado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A partir daquele momento foram seis meses de trabalho duro e muitas dificuldades, até para convencer os empresários a receber o fotógrafo em suas casas, na Capital ou na praia, para onde eles praticamente se mudaram tentando manter as condições de saúde. 

O resultado dessa verdadeira maratona poderá ser conferido no número 1313 da avenida Paulista, na Capital, sede da Fiesp, que irá abrigar a exposição “Retratos do Isolamento”. O projeto, entretanto, não para por aí: está sendo concluído um livro produzido por quatro jornalistas, especialmente convidados para apresentar o perfil de cada um dos que foram fotografados trabalhando num dos piores momentos da pandemia, quando muito pouco se conhecia sobre a transmissão e o poder mortal do vírus, que já tirou a vida de mais de 500 mil brasileiros.

Entre os meses de agosto do ano passado e fevereiro deste ano, Gatti conseguiu registrar a rotina de pesos pesados de diferentes setores, como Carlos Murilo, presidente latino-americano da Pfizer; Cláudio Luiz Lottemberg, presidente do Hospital Albert Einstein; Luiza Helena Trajano, da Magazine Luiza; Paulo Camargo, presidente do McDonald’s; Renata Moraes Vichi, da Kopenhagen; Sonia Hess, ex-Dudalina; Edu Lira, da ONG Gerando Falcões, entre outros.

Dias difíceis

Para levar adiante a proposta inicial, Claudio, João e Fernanda decidiram que cada um iria ligar para dez pessoas e convencê-las a posar para o fotógrafo, onde quer que elas estivessem, em home office. Antes, definiram que iriam mesclar grandes e pequenos empresários, já que todos os setores, especialmente as micro e pequenas empresas, estavam sendo afetados pela pandemia.

“Me lembro que comprei cinco litros de álcool em gel e algumas caixas de máscaras, a preços absurdamente caros naquela época, e botei o pé na estrada”, conta Gatti, com seu habitual entusiasmo e disposição, que já lhe renderam o apelido de “Operário da Fotografia”, por cuidar pessoalmente dos detalhes que antecedem cada clique de sua poderosa Cannon Mark 3.

O chefe de cozinha e proprietário de restaurantes em São Paulo e Rio de Janeiro, Henrique Fogaça, foi o primeiro a ser fotografado. Logo depois veio Tati Oliva, sócia do marido, José Vitor Oliva na Cross Network, num sítio em Araçoiaba da Serra, nas proximidades da Capital.

À medida que as fotos iam sendo feitas, Gatti pedia às pessoas que contassem a outras e as encorajassem a participar do projeto. A estratégia deu certo. E logo ele já estaria de equipamentos prontos para seguir até São Sebastião, no Litoral Norte, onde estavam Denis Onish, vice-presidente de Mídia da Fiat-Chrysler, e Estanislau Bassol, executivo da Mastercard.
Histórias curiosas não faltaram antes ou durante as inúmeras sessões de fotos, onde o medo da contaminação estava sempre presente. Dos dois lados da câmera. Gatti conta que ao se dirigir a um prédio de Moema, onde iria  se encontrar com Sérgio Zimerman, dono da Petz, fabricante de rações para cães e gatos, foi recebido na recepção pela secretária que entrou a seu lado no elevador, sem máscara. “Quando descemos, saí caminhando a certa distância dela e quanto cheguei à sala de espera, tremia de medo de ter sido contaminado no elevador. Quando terminei a sessão de fotos, guardei os equipamentos e já me dirigia para a saída, quando vejo um quadro vermelho na parede. Refiz as fotos com aquele fundo, com uma focinheira de cachorro no rosto dele. Essa imagem transmite exatamente o medo que eu estava passando naquele momento”, conta Gatti.

Para fotografar Claudio Lottemberg, do Albert Einstein, Gatti chegou ao apartamento dele por volta de 17h30, quando a luz da tarde já estava indo embora. O médico conversava com um amigo e fez questão de contar a ele detalhes de fotografias já feitas pelo mogiano. Sinal de que havia pesquisado a fundo a vida do fotógrafo, antes de atendê-lo. Gatti, é claro, se encheu de orgulho, mas a foto teve mesmo de ficar para o dia seguinte, porque àquela altura, a noite já havia chegado. 
“Mas valeu a pena, já que o apartamento dele, no prédio do Shopping Cidade Jardim, tem uma das vistas mais bonitas de São Paulo”, lembra Gatti, que, mesmo assim, mexeu em quase todos os móveis da sacada, onde foram feitas algumas das mais belas imagens da exposição. “Antigamente havia produção, maquiador e tudo mais; hoje não se tem mais verbas para isso e não tenho vergonha de trabalhar assim”, conta ele, fazendo jus ao apelido de “Operário da Fotografia”.

Anos 1990

A ligação com a fotografia ocorreu quase por acaso na vida do jovem que tentou, sem muito sucesso, concluir as faculdades de Engenharia Mecânica e Matemática, após três anos e dois anos e meio, respectivamente, em cada curso, na antiga Universidade Braz Cubas. Aqueles números todos, definitivamente, não eram o que ele queria. E foi para defender algum extra que ele aceitou o convite do fotógrafo Tomi Mori para trabalhar no setor de fotografias da escola.

“Trabalhava com audiovisual e aprendi a mexer no laboratório. Chico Ornellas era diretor da Faculdade de Jornalismo e me incentivou a continuar na área. Fiz, então, um curso de fotografia no Senac, em São Paulo”. Eram tempos de “durango kid”, como ele se refere à falta de dinheiro crônica que enfrentava naquele início dos anos 90. Com o irmão financiando, ele viajava para estudar em São Paulo e voltava para trabalhar à noite, na UBC. “Saul Grinberg me autorizou”, lembra Gatti.
Já formado e após dez anos de UBC, ele fez um acordo com a instituição e todo o dinheiro de sua indenização, investiu num equipamento fotográfico de qualidade. E logo se aventurou pela Bolívia fotografando para uma revista de turismo paulista. Após 20 dias de viagem, decidiu procurar, na Capital, um antigo amigo mogiano, que seria decisivo em sua profissão.

Depois de algum tempo como assistente do fotógrafo Laílson dos Santos – que havia começado a carreira em O Diário e já trabalhava para as principais revistas das maiores editoras paulistanas –, Gatti começou a alçar voo solo, até ganhar projeção no mercado com as fotos especiais que se tornaram capas da revista IstoÉ Dinheiro.

Com apoio do diretor Carlos Marques, Gatti passou a avançar o sinal em relação às tradicionais fotos de empresários atrás de comportadas mesas ou de braços cruzados em lugares sóbrios ao extremo. 

Desde que conseguiu fotografar o empresário Leonardo Senna, irmão de Ayrton Senna, de terno, no interior de uma banheira (produto que ele fabricava) cheia d’água, ele não parou mais.

E vieram Edson Bueno, com o helicóptero da Amil, que ele dirigia, sobre a sua cabeça; Décio da Silva, da Weg Motores, no interior de uma enorme bobina; Stelleo Tolda, do Mercado Livre, dentro de uma caixa pronta para entrega; o dono da Parmalat bebendo, numa caixinha, o leite que vazava da boca para seu peito, entre tantas outras. Fotos ousadas demais, que lhe valeram uma exposição no Museu do Louvre, em Paris, no ano de 2017. Entre essas fotos, expostas também em Veneza, estava a do governador João Doria, descalço, num dos galhos de uma gigantesca figueira.

Além das fotos da exposição “Retratos do Isolamento”, Gatti continua trabalhando intensamente. Um de seus mais recentes ensaios fotográficos foi publicado pela revista Veja, ilustrando uma reportagem sobre os nonagenários que sabem aproveitar a vida como poucos. Entre os fotografados estava um mogiano, o médico Nobolo Mori, mostrado num momento de dolce far-niente, num campo de golfe da cidade.

Apesar de todos os cuidados, fotógrafo não escapou da Covid-19

Litros e litros de álcool em gel e várias caixas de máscaras se mostraram insuficientes. Quando se preparava para fazer a derradeira foto para a exposição, Claudio Gatti sentiu, nesta semana, os primeiros sintomas da Covid-19 e teve de se isolar para tratamento. O imprevisto deverá adiar por algumas semanas a abertura da mostra de fotos na Fiesp.

 

Mais noticias

Como escolher um produto de qualidade e licenciado? Especialista dá 5 dicas

Banho no inverno: 6 dicas para garantir a segurança e o conforto dos animais

Ubatuba: 3 praias incríveis para conhecer no destino

Veja Também