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Exposição de arte sacra celebra os 60 anos da Diocese de Mogi

A Diocese de Mogi das Cruzes está completando 60 anos de fundação. Para celebrar a data, além de  missa especial na Catedral de Santana às 19 horas, como O Diário já divulgou, há outra atividade importante na sequência desta quinta-feira (9): a abertura da ‘Exposição Arte Sacra’, que ficará em cartaz até o próximo dia 25 […]

Por O Diário
08/06/2022 16h09, Atualizado há 689 meses

A Diocese de Mogi das Cruzes está completando 60 anos de fundação. Para celebrar a data, além de  missa especial na Catedral de Santana às 19 horas, como O Diário já divulgou, há outra atividade importante na sequência desta quinta-feira (9): a abertura da ‘Exposição Arte Sacra’, que ficará em cartaz até o próximo dia 25 no Centro Cultural.

No piso térreo do local será possível apreciar esculturas e imagens sacras, além de itens de mobiliário, peças de devoção popular, manuscritos, roupas e quadros. São quase 40 itens ao todo. Mas apenas listá-los não dá a dimensão exata da mostra.

É por isso que este jornal conversou com o diácono Vinicius Teodoro Vilela. Ligado a Paróquia Nossa Senhora Aparecida São Roque, em Braz Cubas, ele será ordenado padre no sábado (11) e foi nomeado pelo bispo dom Pedro Luiz Stringhini, de quem já foi secretário, enquanto era seminarista, como curador do acervo diocesano de arte sacra.

“A exposição tenta, de uma forma muito breve, muito simples, contar um pouco destes 60 anos de história”, diz ele, que é filho de pais que não costumam frequentar a igreja, mas que foi apresentado à religiosidade por uma “madrinha de crisma” e também pelo padre italiano Cármine Mosca. Aos 7 anos, já sabia que deveria seguir este caminho.

Vinicius explica que todas as peças expostas compõem um enredo e propõem a reflexão dos visitantes, que não necessariamente precisam guardar relações com a fé ou religiosidade. Afinal, está em cartaz a história mogiana.

“Sabemos que Mogi nasceu também através da fé católica, haja vista que o marco zero está na frente da Catedral, onde foi a primeira capela dedicada a Santana, que é a padroeira de Mogi. O que seria de Mogi sem a fé, sem o cristianismo? Por outro lado, o que seria da igreja se não fosse também a movimentação, o crescimento e a expansão da cidade da forma que se deu em mais de 400 anos de história?”, pergunta ele.

De acordo com o diácono, além de revelar este “intercâmbio entre igreja e sociedade civil”, as obras da exposição contém detalhes da arquitetura mogiana ao longo do tempo. É como um quebra-cabeças: cada obra acompanha uma descrição, que somada à peça em si, traz curiosidades.

Uma das curiosidades que vale como exemplo é sobre a antiga igreja de Nossa Senhora do Rosário, onde hoje funciona o hotel Binder, no Largo do Rosário. “Muitas vezes as pessoas não sabem que ali era uma igreja que foi vendida pelo primeiro bispo de Mogi, dom Paulo Rolim Loureiro, pois na época não era possível fazer o restauro”.

Outra remete a fatos de um passado distante há 272 anos. “Uma cadeira está no centro da exposição e era da matriz antiga de Santana, que data de 1750. Fizemos questão de expor esta cadeira junto com a primeira cátedra, que há 60 anos bispo Rolim tomou posse canônica, oficializando a abertura da diocese de Mogi das Cruzes”.

Estes – e muitos outros itens – celebram principalmente duas datas: 9 de junhode 1962, quando “foi emitido o documento de criação da diocese, a bula pontifícia”, de papa João XXIII, e também 30 de dezembro do mesmo ano, quando aconteceu a cerimônia de instalação da diocese e a posse de dom Rolim. Em outras palavras, a exposição de arte sacra celebra o “ano jubilar”, ou então o período considerado como “jubileu de diamante”.

“O fato do papa João XXIII ter escolhido a cidade de Mogi no Alto Tietê para ser sede de uma diocese é muito simbólico. A partir desse momento, a cidade fica conhecida mundialmente, pois a sede de uma diocese dá nome a ela”, avalia diácono Vinícus. No entanto, o diácono reforça que as peças expostas deixam claro que a igreja não está presente há apenas 60 anos, e sim desde a fundação da cidade.

O Centro Cultural de Mogi fica ao número 360 da praça Monsenhor Roque Pinto de Barros, e a exposição de arte sacra estará em cartaz até o próximo dia 25. A abertura, nesta quinta-feira (9), será por volta das 20h30, após a missa de Ação de Graças na Catedral de Santana, que fica ao lado.

Depois disso, a visitação estará aberta de segunda a sábado, das 9 horas às 16h45.

 

Segurança

Em 2019, a exposição “Arte Sacra em Mogi das Cruzes” foi realizada na Pinacoteca da cidade. Na ocasião, uma imagem da santa Nossa Senhora da Conceição, que pertence à Diocese de Mogi das Cruzes, tem registro no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e foi produzida por frei Agostinho de Jesus, sofreu uma tentativa de furto. O objeto desapareceu e o prédio foi fechado. Dois dias depois a peça foi encontrada no próprio local, escondida. Provavelmente seria retirada mais tarde, mas a ação criminosa foi frustrada.

O Diário perguntou a diácono Vinicius Teodoro Vilela o que está sendo feito agora, três anos após este episódio, para garantir a segurança das obras expostas no Centro Cultural. Além dos colaboradores da secretaria de Cultura, ele explicou que foram disponibilizadas “redomas de vidro para as peças menores, que podem ser levadas com facilidade”. Mas há uma medida mais radical do que isso: houve um cuidado maior na seleção.

Todos os itens são importantes, pois contam a história da cidade, mas alguns deles, como a imagem que quase foi furtada em 2019, têm maior valor artístico, o que ultrapassa barreiras sentimentais ou religiosas.

Por isso, a referida imagem de Nossa Senhora da Conceição, nas palavras de Vinicius, “não sairá nunca mais do acervo”, que fica na sede da cúria diocesana.

Segundo ele, que tem ajudado no transporte das peças, com o auxílio dos seminaristas Diego e Donizete e também de um caminhão cedido pela Prefeitura de Mogi, esta “é uma cláusula colocada pelo bispo”.

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