Entenda o sucesso do documentário ‘Serráqueos’, que será exibido hoje na TV e no cinema
Um documentário que mostra as belezas da Serra do Itapeti e também a história de pessoas que nela encontraram refúgio para se reconectarem à natureza. Um filme que já recebeu prêmio e foi exibido em seis festivais e mostras diferentes, incluindo duas agendas internacionais. Assim é ‘Serráqueos’, que será exibido hoje, em comemoração aos 461 […]
01/09/2021 07h49, Atualizado há 688 meses
Um documentário que mostra as belezas da Serra do Itapeti e também a história de pessoas que nela encontraram refúgio para se reconectarem à natureza. Um filme que já recebeu prêmio e foi exibido em seis festivais e mostras diferentes, incluindo duas agendas internacionais. Assim é ‘Serráqueos’, que será exibido hoje, em comemoração aos 461 anos de Mogi das Cruzes, na TV Diário e também no Cinemark do Mogi Shopping.
Além da telinha e da telona, são conquistas da obra a entrada em 43 escolas estaduais; o 8º Festival de Cinema de Caruaru (PE) – 2021, onde recebeu o prêmio de “Melhor Pôster”; o 29º Ecocine – Festival Internacional de Cinema Ambiental e Direitos Humanos (SP) – 2021; a 2ª Mostra de Cinema de Ibitipoca (MG) – 2021; o SaranCINE – Festival de Cinema Ambiental de Sarandira (MG) – 2021; o 6º Santos Film Fest – Festival Internacional de Cinema de Santos (SP) – 2021; e o 4º Festival de Cinema de Jaraguá do Sul (SC) – 2021.
O que levou um filme que mostra o futuro de um “monumento ecológico” e seu impacto – inclusive cultural – na vida dos moradores, a fazer tanto sucesso? Foi a pergunta que a reportagem de O Diário fez ao diretor Rodrigo Campos. A resposta veio em duas palavras: “quatro fatores”.
Em primeiro lugar, diz Rodrigo, a “produção” em si conta muito, pois “ultrapassa a expectativa de quem está vendo”, devido a sua qualidade. Depois há o “pertencimento”, já que o espectador consegue “se enxergar ali”, em um produto cuja “linguagem que conversa com diversos públicos”. Por fim, conta a favor a “temática universal”, ou seja, a abordagem de uma beleza natural e os riscos ambientais que a rodeiam.
Ele não se limita a apenas essas definições e detalha os argumentos. “O sucesso na nossa cidade é essa coisa das pessoas se reconhecerem. O maior papel da arte é esse: expressar não só o cotidiano, o que estamos vivendo e sentindo, mas fazer com que as pessoas se enxerguem naquilo. E para nossa região, acho que as pessoas estão se vendo naqueles personagens, principalmente no principal, a Serra do Itapeti”.
O diretor continua a detalhar os tais fatores e aborda a “qualidade da produção”. “A gente está acostumado a consumir produtos audiovisuais de fora, grandes. Temos excelentes profissionais aqui, mas a nossa produção é amadora pela falta de investimento, de incentivo. A maioria das produtoras que temos aqui são pautadas na questão comercial, institucional. E nós, independentes, por mais que tenhamos talento, temos pouco dinheiro ou nenhum orçamento. Mas quando temos acesso a recursos a chance de produzir material e qualidade é alta”, diz ele, em referência à Lei de Incentivo a Cultura (LIC) de Mogi, que possibilitou que ‘Serráqueos’ saísse do papel.
Ter um orçamento e um bom tema não eram o suficientes. Era preciso um bom roteiro, uma boa edição, um bom foco. “Por mais que seja um documentário teoricamente tradicional, não ficamos na linguagem dos filmes de arquivo, tentamos dar roupagem mais moderna, que consegue dialogar com diferentes faixas de idade. Ao mesmo tempo tem crítica, um pouquinho questão do humor, a questão do esporte, da cultura, então ficou equilibrado”.
A cereja do bolo, nesse caso, estava planejada desde a receita. Foi “a temática universal” que possibilitou o filme “rodar em outras regiões”. Rodrigo explica que, por mais que a Serra do Itapeti seja um patrimônio de Mogi, “a questão de ser área de Mata Atlântica, ter fauna e flora muito rica e sofrer com problemas” é reconhecida por “diversas outras regiões do país” e também por “outras partes do mundo”.
Sinopse
‘Serráqueos’ mostra o futuro da Serra do Itapeti e seu impacto na vida dos moradores, que utilizam seus recursos de forma sustentável, preservando as culturas locais, como o moçambique e festas religiosas, além das espécies endêmicas ameaçadas de extinção, como o sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita) e o bicudinho-do-brejo (Formicivora paludicola).
A obra traz a história de moradores que encontraram na serra refúgio para se reconectarem à natureza, de gerações de famílias que lutam para preservar suas características e, também, de personagens como Dona Albertina e Paulinho do Alambique, falecidos durante a produção do documentário.
Ficha técnica
O longa-metragem, dirigido pelo cineasta mogiano Rodrigo Campos, começou a ser filmado em agosto de 2019. A equipe é composta por quase 100% de profissionais de Mogi e região. Na pesquisa e assistência de direção está a jornalista Jamile Santana, produção de Renata Abreu, direção de fotografia de Lethicia Galo, assistência de fotografia de Adriano Lourijola, Alex Salti e Geraldo Arcanjo, filmagem aérea com drone de Thiago Secomandi e Orlando Junior, som e mixagem de Alandson Silva, trilha sonora supervisionada pelo maestro Allan Caetano, montagem de Denilson Nakajima, colorização de Marcelo Cosme, assistência de montagem de Leonardo Scavone e Rogerio de Freitas, imagens adicionais de Marcelo Cardoso, efeito visual de Felipe Paixão e Diana Santos, ilustração pôster e artes gráficas de Rico Ribeiro.