Em Suzano, obra de arte histórica do Casarão da Memória passa por restauração
O museu que conta a história de Suzano, Casarão da Memória Antônio Marques Figueira, está sendo palco de uma ação inédita de preservação do registro histórico e perpetuação do legado da cidade. A iniciativa, que tem o apoio da Secretaria Municipal de Educação, está sendo realizada de forma voluntária por profissionais da área. A equipe […]
15/08/2022 15h35, Atualizado há 689 meses
O museu que conta a história de Suzano, Casarão da Memória Antônio Marques Figueira, está sendo palco de uma ação inédita de preservação do registro histórico e perpetuação do legado da cidade. A iniciativa, que tem o apoio da Secretaria Municipal de Educação, está sendo realizada de forma voluntária por profissionais da área.
A equipe de restauradores iniciou uma série de intervenções em um quadro que estava rasgado e com marcas de sujidade, devido ao tempo. A obra foi pintada pelo empresário italiano Carlos Molteni, em 1949, ano que também marcou a emancipação política-administrativa de Suzano.
A peça chegou aos cuidados da equipe do Casarão da Memória por meio de uma doação de Sônia Molteni, neta dele. O objetivo disponibilizar a obra de arte à apreciação até o fim deste mês.
Inspirado na via pública onde ficava a sua empresa, o artista retratou a paisagem do caminho para o rio Tietê, onde hoje está localizada a avenida Vereador João Batista Fitipaldi, próximo a “subida” do bairro do Sesc, que hoje é a avenida Katsutoshi Naito. Com vasta área de plantações e atividade rural, o retrato também traz a reflexão do progresso da cidade, onde hoje é um bairro com grande população e movimentação econômica.
De acordo com a pasta de Cultura, com pinceladas suaves na técnica de óleo sobre tela, o quadro de 73 anos sofreu avarias do tempo, apresentando algumas camadas de pó que alteram a cor original, além de um trecho rasgado em formato de “F” nas fibras da tela.
Durante uma visita ao espaço cultural, a equipe da empresa suzanense “N3 Arte e Reparo” verificou essas alterações, dialogou com os servidores do Casarão da Memória e se voluntariou para fazer o trabalho de maneira gratuita, como forma de perpetuar a história da cidade.
A restauradora Roseli Fernandes explicou que os processos cautelosos duram de 10 a 15 dias. “A primeira ação que fizemos foi preparar o quadro. Esse primeiro passo, que se chama faciamento, é feito com um papel japonês e cola animal, que é totalmente reversível, para depois podermos tratar o verso de forma segura, para fazer a sutura do rasgo e a limpeza do verso. Esse procedimento, além de proteger, hidrata e já consolida se algum pigmento estiver saindo”, explica a profissional.
Ela ainda complementa que após essas fases é feito um nivelamento pictórico, para igualar as partes onde a tinta saiu ao longo dos anos. Roseli frisa que todo o material utilizado é reversível, para sempre poder acompanhar as novas técnicas e manter a obra original do artista, sem alterações. Seguindo o cronograma estabelecido pela equipe, o quadro já estará disponível para apreciação dos visitantes nas próximas semanas.
Segundo a diretora de Patrimônio Cultural de Suzano, Rita Paiva, essa ação é um ganho para toda cidade, que adquire mais uma ferramenta de perpetuação da memória e de suas raízes. “Aqui em nosso Casarão contamos com fragmentos únicos de Suzano. Quando uma criança vem aqui e pergunta qual local está retratado naquela obra e depois passa pela avenida, consegue ir criando uma ideia da evolução da cidade e de suas origens”, pontuou.
Unido ao quadro histórico, o Casarão da Memória conta com cerca de 500 itens em seu acervo, todos ligados à história de Suzano e ao desenvolvimento da região, mostrando a amplitude cultural.
Para o vice-prefeito e secretário municipal de Cultura, Walmir Pinto, a cidade tem avançado diariamente na preservação de suas raízes. “A pasta está ligada ao Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, responsável pelo tombamento da Academia de Judô Terazaki. Fomos grandes apoiadores das homenagens do centenário da imigração japonesa e seguimos trabalhando todos os dias neste setor, porque a cultura e a história são ligadas de forma intensa”, explana.
O Casarão da Memória é um espaço de cultura, arte e entretenimento gratuito, localizado na rua Campos Salles, 547, na área central. Para marcar uma visitação guiada, basta agendar pelo telefone (11) 4748-6949 ou presencialmente, de segunda a sexta-feira, das 9 às 16 horas. O local permanece aberto até as 17 horas.