De jovens, para jovens: conheça a Revista Integratexto, feita por estudantes de Mogi
Feminismo, impacto do videogame na quarentena, psicofobia, bloqueio criativo, relação entre pais e filhos na quarentena. Atuais e pertinentes, todos estes temas poderiam muito bem protagonizar edições de grandes veículos jornalísticos de todo o mundo. Não apenas um, mas todos estes assuntos, com reportagens escritas e diagramadas por jovens estudantes, estampam a capa da terceira […]
02/01/2022 18h30, Atualizado há 688 meses
Feminismo, impacto do videogame na quarentena, psicofobia, bloqueio criativo, relação entre pais e filhos na quarentena. Atuais e pertinentes, todos estes temas poderiam muito bem protagonizar edições de grandes veículos jornalísticos de todo o mundo. Não apenas um, mas todos estes assuntos, com reportagens escritas e diagramadas por jovens estudantes, estampam a capa da terceira edição da Revista Integratexto, do Colégio Integração, de Mogi das Cruzes (veja abaixo).
A melhor apresentação sobre o projeto – que está disponível em https://integratexto.wordpress.com – pode ser lida na “carta ao leitor”, redigida por uma das 20 estudantes envolvidas, Isabella Santana, 15 anos, editora-chefe. “Nossa matéria de capa retrata o feminismo, em que mesmo diante de inúmeras barreiras, as mulheres têm lutado buscando respeito, oportunidades e posições igualitárias”.
A seguir, ela apresenta os demais conteúdos. “Outro tema abordado foi a relação de pais e filhos durante o isolamento social (foi só aqui que alguns dias a convivência foi uma loucura?). Diante desse cenário inóspito até então, cada um lidou de uma forma, e uma coisa é certa, uma das mudanças provocadas foi o aumento no uso da tecnologia. Puxando esse gancho, quais são os impactos do vídeo-game durante esse período?”.
Em outro trecho, ela convida os leitores a “conhecer um pouco mais sobre o autismo e acabar de vez com o preconceito que infelizmente ainda impera”; também comenta a existência de “uma matéria sobre bloqueio criativo” e ainda chama para a seção de “recomendações de filmes e livros que dialogam” com cada um dos textos.
Interessante é que não somente as reportagens foram produzidas por alunos do 6º ao 9º anos, como também foram eles que sugeriram as pautas, como conta Danilo Meirelles de Souza, um dos cinco professores mediadores do projeto. “Esta é a terceira edição, o que proporciona um conhecimento já processado por parte de alguns alunos da revista que estão desde a primeira edição”, diz ele, que comenta o processo de produção.
A equipe “se reúne uma vez por semana em uma sala virtual”, e “após cada integrante compreender a dinâmica e ocupar os cargos em que vão trabalhar”, é a hora das “reuniões de pauta”, fase que dura até quatro encontros. Nestes momentos, “todo aluno pode apresentar uma pauta de seu interesse”.
É aberta então uma votação, e os temas vencedores começam a ser trabalhados. “Com a presença de um professor orientador, as equipes começam as pesquisas e a redação de cada matéria. Os texto são constantemente revisados pelo corpo docente e os “jornalistas mirins” são orientados a pesquisar os assuntos, entrevistar profissionais das áreas de interesse e consumir conteúdos relacionados.
Também professor mediador, Milton Moretti Neto diz que o projeto “é uma linda possibilidade de os alunos e alunas colocarem em prática seus conhecimentos, opiniões e sentimentos”. Ele explica que se trata de uma atividade “extracurricular”, e que “portanto, não vale nota”. Ou seja, participa quem quer, e por isso o resultado tem qualidade tão interessante.
Além de ter sistema muito parecido com o de uma redação jornalística de um veículo tradicional, como este repórter pode confirmar, a Revista Integratexto estimula o ingresso de novos nomes na Comunicação.
Por enquanto, a editora-chefe “não tem certeza do que pretende”, mas, “sem dúvida, após a experiência dentro da revista, Jornalismo entrou como opção”. Já a editora da turma, Helena Mattos Guimarães, de 14 anos, diz querer “escrever artigos científicos, ser pesquisadora”. Ela já está no caminho. Além de escrever bem, como toda a equipe, lê muito.
Falando em leitura, a diagramadora do projeto, Lara Gerevini, diz consumir “diversos gêneros”, inclusive “entrevistas em geral”, o que a ajudou a desenvolver vocabulário.
Para o Colégio Integração, como define o professor Danilo, a revista – disponível para leitura gratuita – “é um grande passo na construção de novas didáticas para a produção do conhecimento do aluno”.
Além do convite para conferir a atual edição, fica registrada aqui a promessa de que uma nova será lançada em 2022.