Conheça “Luisinho do acordeon”, o sanfoneiro de Sérgio Reis
Aos 5 anos de idade, uma criança já sabe fazer muitas coisas, como se vestir e comer sozinha. Nessa idade, o suzanense Luis Carlos da Silva, aprendeu o que viria a ser sua profissão: tocar sanfona. Hoje com 62 anos, ele é conhecido como “Luisinho do acordeon”, e toca há 36 anos ao lado do […]
21/05/2022 08h03, Atualizado há 689 meses
Aos 5 anos de idade, uma criança já sabe fazer muitas coisas, como se vestir e comer sozinha. Nessa idade, o suzanense Luis Carlos da Silva, aprendeu o que viria a ser sua profissão: tocar sanfona. Hoje com 62 anos, ele é conhecido como “Luisinho do acordeon”, e toca há 36 anos ao lado do sertanejo Sérgio Reis.
O ingresso na música foi incentivado pela família. “Meus pais era músicos”, lembra o artista. “Nada profissional, mas sempre ligado a instrumentos, me deixaram à vontade para crescer nesse meio”.
Foi aos 5 anos que Luisinho ganhou o primeiro acordeon, “um que tinha oito botõezinhos, oito baixos”. A identificação foi imediata, e despertou o interesse para que mais tarde estudasse “música clássica, sertaneja, popular, samba, jazz, piano, violão”.
Quando completou 20 anos, Luisinho resolveu “estudar seriamente” a sanfona. Comecei nos estudos de gravações da época e conheci uma cantora famosa, Nalva Aguiar, de Minas Gerais. Comecei no meio sertanejo com ela, tocando em São Paulo”.
A capital deu visibilidade a Luisinho, que passou a subir também nos palcos locais. “Passei a trabalhar em Suzano, com o pessoal da região. Os músicos daqui praticamente trabalhei e trabalho com todos”, conta.
Depois de cinco anos de estrada com Nalva Aguiar, o sanfoneiro deu início a outra parceria, agora com a dupla Tonico e Tinoco. Nesta altura do campeonato, o envolvimento com o meio sertanejo era muito grande, e isso o levou a conhecer Sérgio Reis, com quem trabalha “há uma vida”.
“Ele estava precisando de um músico. Trabalhei com ele durante um tempo, e na época eram muitos shows, a gente ficava muito na estrada. Meu objetivo era mais estudar, então dei uma afastada para estudar e aperfeiçoar o instrumento, mas depois voltei”.
Desde então, Luisinho nunca mais deixou de integrar a banda de Sérgio Reis, com quem tem uma “relação de amizade, como uma família musical”, e com quem conheceu “o Brasil inteiro” e fez “turnês fora, nos Estados Unidos, Argentina, Paraguai”. Mesmo agora, no pós-pandemia, ainda são realizados entre quatro e seis shows por mês.
Além destas apresentações, ele realiza muitas outras, em restaurantes e festas particulares. Também faz parte da banda do programa ‘Canto e Sabor do Brasil’, que vai ao ar todos os domingos, às 11 horas, na TV Brasil, e ainda dá aulas de acordeon para cerca de 10 alunos.
Os aprendizes de Luisinho estão em Mogi e Suzano. Muitos deles vão até a casa do mestre, mas outros pedem para que o professor vá até eles. E este trabalho, conta o sanfoneiro, é gratificante. “Muitos querem aprender a tocar, mas não quer dizer que é só para quem busca ser profissional. A música faz bem para muita coisa. É gostoso saber tocar, e isso aproxima os amigos. É um hobby”.
Em uma das aulas ele acabou perdendo uma das sanfonas de trabalho, um instrumento de 70 anos que está com ele há 35. Mas o item já foi recuperado e já está tudo bem, garante ele, que segue estudando. Um dos novos aprendizados é o das redes sociais: ele está no Instagram como @luizinhoacordeon e tem postado fotos ao lado de nomes como o ator Jackson Antunes.
Acordeon: uma relíquia quase perdida
Quando veio dar uma aula particular em Mogi das Cruzes, na quinta-feira dia 12 de maio, Luis Carlos da Silva, o “Luisinho do acordeon”, não poderia imaginar que perderia a sanfona na calçada da rua Otoni Martins, no Socorro. Mas foi isso o que aconteceu, como este jornal mostrou no último final de semana.
Na ocasião, O Diário conversou com a esposa dele, Atsuko Oda da Silva, 66, que explicou que “depois de dar aula em um condomínio, ele chegou perto do carro e viu que a ventoinha estava ligada. Colocou a sanfona na calçada e foi mexer no fusível para desligar a ventoinha. Entrou no carro, e a sanfona ficou na calçada”.
Sem mais delongas, aqui vai a atualização: o instrumento, que vale algo entre R$ 20 mil e R$ 25 mil, foi encontrado na segunda-feira (16). Luisinho conta como. Acontece que ele estava com duas sanfonas naquele dia. Viu uma dentro do carro e achou que estavam as duas ali.
“Falei para a minha mulher, que conhece a jornalista Lana Camargo, para pedir a ela para divulgar”. A estratégia deu certo: alguém viu a publicação e informou que a sanfona estava com um homem “que olha carros em Mogi”.
Segundo Luisinho, essa pessoa tentou vender o instrumento, mas ninguém quis comprar, por não acreditar que tivesse sido encontrado na calçada. Ele se recusou a pagar o “resgate”, e após muita negociação, conseguiu reaver o item, que está com ele há 35 anos e pelo o qual nutre carinho especial.