Mãe de garoto que morreu espancado em Guararema postou texto defendendo brigas
A mãe do menino de sete anos que perdeu a vida na madrugada desta sexta-feira (23), em Guararema, após ser espancado por pegar comida na geladeira, havia compartilhado um texto sobre educação nas redes sociais há cerca de dez dias. O caso vem ganhando novos desdobramentos e segue em investigação. Nesta tarde, o irmão mais velho do menino relatou […]
23/06/2023 19h23, Atualizado há 688 meses
A mãe do menino de sete anos que perdeu a vida na madrugada desta sexta-feira (23), em Guararema, após ser espancado por pegar comida na geladeira, havia compartilhado um texto sobre educação nas redes sociais há cerca de dez dias. O caso vem ganhando novos desdobramentos e segue em investigação. Nesta tarde, o irmão mais velho do menino relatou na delegacia que o pai agredia os irmãos com frequência.
Em postagem no Facebook, a mãe disse: “Deixem-me brigar com meu filho o quanto eu quiser”, justificando que estava educando a criança.
“NINGUÉM TEM CORAGEM DE FALAR, MAS EU TENHO… Quando EU, COMO MÃE, estiver brigando com o MEU FILHO, não se intrometam, pois sei muito bem o que estou fazendo. Não me digam ‘Ah, deixe o menino(a)!’ Não, eu não deixo. Vocês dizem que em suas casas ele pode fazer o que quiser, e ele acreditará que isso também é permitido em qualquer lugar. O único a lidar com a falta de educação dele sou eu”, começa ela no texto.
E vai além: “Portanto, deixem-me brigar com meu filho o quanto eu quiser. É melhor eu ser uma mãe rigorosa do que ser conivente e negligente! Se não corrigir agora, ele se tornará uma criança mimada, mal-educada e sem limites.”, finaliza a publicação.
Na mesma rede social, ela postava fotos abraçadas com o garoto.
Conforme mostrou a reportagem, o pai do garoto, Marcelo Bezerra Leão, teria confessado que bateu no fiho adotivo depois que ele pegou comida porque estava com fome.
Segundo registros iniciais, o garoto teria recebido o primeiro atendimento no hospital de Guararema e depois foi transferido para o Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, quando veio a falecer em decorrência da gravidade do espancamento.
Alem de Marcelo Bezerra Leão, a mulher dele, que é professora, também foi detida porque teria acompanhado a agressão física e omitido ajuda à criança. Ela trabalhava na Secretaria de Educação da Prefeitura de Suzano, atuando na rede municipal há mais de 10 anos.
Em nota encaminhada a O Diário, a Prefeitura de Suzano enfatiza que repudia qualquer tipo de crime ou ato que atente contra os direitos fundamentais de crianças e adolescentes. “Também destaca que tomou conhecimento da ocorrência na manhã desta sexta-feira (23), por meio de publicações na imprensa”.
A administração destaca que a mãe do garoto não tinha, em seu histórico como professora, qualquer registro de queixas por parte da comunidade escolar (alunos, pais/responsáveis e profissionais).
“É importante destacar que o caso se deu em outra cidade e em âmbito particular. Caso se confirmem as informações já divulgadas e o envolvimento da servidora no crime, todas as medidas administrativas possíveis serão tomadas com rigor”, finalizou a Prefeitura.
O garoto apresentava ferimentos em diversas partes do corpo e o suspeito afirmara, inicialmente, à equipe médica, que ele havia caído de uma escada. A apuração mostrou, no entanto, que em abril passado, a mesma criança havia sido encaminhada ao hospital da cidade com uma fissura no fêmur.