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Mogiana é finalista do Prêmio Jabuti com ‘Prato Firmeza Preto’

No Dia da Consciência Negra, comemorado neste sábado (20), a jornalista mogiana Jamile Santana tem  motivos para celebrar. Neste ano, ela recebeu três indicações/premiações e é uma das finalistas da 63ª edição do Prêmio Jabuti na categoria “Não-Ficção – Economia Criativa”, com a quarta edição do guia gastronômico “Prato Firmeza Preto – Empreendedorismo Negro e […]

Por O Diário
20/11/2021 06h31, Atualizado há 689 meses

No Dia da Consciência Negra, comemorado neste sábado (20), a jornalista mogiana Jamile Santana tem  motivos para celebrar. Neste ano, ela recebeu três indicações/premiações e é uma das finalistas da 63ª edição do Prêmio Jabuti na categoria “Não-Ficção – Economia Criativa”, com a quarta edição do guia gastronômico “Prato Firmeza Preto – Empreendedorismo Negro e Identidades”, produzido pela Énois Laboratório de Jornalismo em parceria com seis iniciativas de jornalismo independente. A divulgação dos vencedores será na próxima quinta-feira (25).

Os parceiros de produção de conteúdo são Agência Mural, Periferia em Movimento,  Alma Preta, Vozes das Periferias, Preto Império e Feira Preta. O trabalho foi viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura. “Foi uma equipe com mais de 30 pessoas, a maior da história do Prato Firmeza. Todas remuneradas de forma justa pelos seus trabalhos, claro, e constituída por repórteres e profissionais da comunicação e da gastronomia negros e negras. O editor-chefe do livro foi o jornalista e chef de cozinha Guilherme Petro e esse foi meu primeiro trabalho como editora de livro”, conta Jamile.

O guia gastronômico negro das quebradas de São Paulo teve seu lançamento online, no ano passado, em parceria com a Feira Preta. O trabalho é pioneiro ao mapear 39 histórias de empreendedores e empreendedoras negras que atuam com alimentação, de entregadores à sommelières. 

Desta forma, desde restaurantes com comida de influência africana e brasileira, confeitarias, serviços de delivery e buffet, hortas comunitárias até marcas de coquetéis engarrafados, o guia apresenta 39 histórias inéditas e pode ser acessado gratuitamente no formato digital. Feito entre junho e outubro de 2020, durante a pandemia do novo coronavírus, ele também teve uma produção toda remota: a equipe de reportagem provou e avaliou todos os pratos de casa e os entregadores contratados tiveram suas histórias contadas em um dos capítulos do guia.

O Prato Firmeza foi criado em 2013 na Énois, com os primeiros estudantes da Escola de Jornalismo, que já formou mais de 40 jovens em jornalismo cultural e gastronômico e mapeou mais de 120 restaurantes nas periferias da capital e região metropolitana. Em 2017, o primeiro volume do livro ficou em 6º lugar na categoria de gastronomia do Prêmio Jabuti, sendo a única publicação independente entre os finalistas. Em 2018 o segundo volume venceu o XXI Troféu São Paulo Capital Mundial da Gastronomia, na categoria “Guia”.
Mulher negra e ativista na área de Transparência Pública e Abertura de Dados na cidade, a mogiana também teve seu trabalho reconhecido na noite desta sexta-feira (19), quando recebeu a Medalha Zumbi dos Palmares da Câmara de Mogi, por indicação do vereador Iduigues Martins (PT). “Entreguei um projeto de lei pronto ao Poder Executivo para regulamentar  em Mogi a Lei de Acesso à Informação, que completou 10 anos hoje no último dia 18, e contribui com relatórios para estruturar o fluxo de atendimento aos pedidos de acesso. O projeto está em tramitação na Prefeitura e deve ser encaminhado ao Legislativo em breve”, conta ela, que também comanda oficinas gratuitas para jornalistas e cidadãos sobre como usar a lei de acesso e analisar os dados coletados. 

“Quando a gente fala sobre luta antirracista, estamos falando muito mais sobre a população branca do que a da população negra, porque não fomos nós, negros, quem inventamos o racismo. Ele foi uma estrutura inventada pela população branca, que passou a explorar outros seres humanos em detrimento da cor da pele. É uma relação de poder. Então, quando falamos que a luta antirracista é necessária, estamos dizendo que é necessário que as pessoas brancas tenham consciência de que vivemos em uma estrutura social construída em cima do racismo, que já vem de fábrica, a gente aprende e reproduz assim, então em algum momento da vida a gente precisa parar, rever atitudes e ajudar nesta construção para não continuar reproduzindo o racismo. É muito mais sobre como o branco tem esta responsabilidade neste reparo. Muito menos como nós, pessoas negras temos dificuldade de acessar os espaços, porque na verdade, são as pessoas brancas que têm dificuldade de abrir espaço para a gente. Falar de consciência é uma forma de dar este espaço para falarmos de nossa cultura, ancestralidade e deixar que a gente ocupe este espaço social”, afirma ela. 

Ainda neste ano, a primeira conquista de Jamile foi o Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados 2021, com o projeto MonitorA, que coordenou como analista de dados pela Revista AzMina. “Em 2020, analisamos o discurso de ódio direcionado às candidatas nas redes sociais durante as eleições, mostrando como a violência política de gênero ainda é uma realidade e afeta a candidatura de mulheres em todo o Brasil. Monitoramos os perfis de 123 candidatas das diferentes regiões do país no Twitter, YouTube, Instagram e Facebook, coletando postagens, comentários de usuários, e outras interações. Foram milhões de tuítes capturados com termos ofensivos”, conta. 

Desta forma, o MonitorA mostrou que enquanto as candidatas mulheres são atacadas por atributos físicos, intelectuais, os homens são ofendidos por seu trabalho ou posicionamento. Em média, as candidatas receberam 40 xingamentos por dia no Twitter.

Mais informações sobre o Prato Firmeza em https://pratofirmeza.com.br/ Facebook / Instagram / Twitter: @pratofirmeza e download: https://enoisconteudo.com.br/sejam-bem-vindes-ao-prato-firmeza-preto

 

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