Audiência na Câmara discute orçamento de R$ 2,7 bilhões previstos para Mogi em 2024
Câmara Municipal de Mogi das Cruzes realizou na manhã desta sexta-feira (17) uma audiência pública com a participação os secretários municipais de Finanças, Ricardo Abílio, e de Planejamento e Gestão Estratégica (Seplag), Lucas Porto, para discutir o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024. Os números do projeto mostram que o orçamento fiscal do […]
18/11/2023 08h30, Atualizado há 686 meses
Câmara Municipal de Mogi das Cruzes realizou na manhã desta sexta-feira (17) uma audiência pública com a participação os secretários municipais de Finanças, Ricardo Abílio, e de Planejamento e Gestão Estratégica (Seplag), Lucas Porto, para discutir o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024.
Os números do projeto mostram que o orçamento fiscal do Município de Mogi das Cruzes, abrangendo a administração direta e indireta, seus órgãos e fundos, estima para o exercício financeiro de 2024 a receita e fixa a despesa em R$ 2,778 bilhões, um aumento de 7,7% em relação à Loa de 2023.
Do total, mais de R$ 2,181 bilhões são destinados à Prefeitura; R$ 45 milhões para a Câmara; R$ 291,131 milhões para o Semae e outros R$ 260,289 milhões ao Iprem.
A audiência foi comandada pelo vereador Vitor Emori (PL), presidente da Comissão Permanente de Finanças e Orçamento, com auxílio do vereador Maurino José da Silva (PODE), integrante da pasta. Além deles, participaram do encontro os parlamentares Inês Paz (PSOL), Francimário Vieira, o Farofa (PL), e o professor Eduardo Ota (Pode), e representantes da sociedade civil.
Apesar de uma estimativa de mais de 7,7% maior do que a LOA de 2023, estimada em R$ 2,5 bilhões, existe uma preocupação da prefeitura com a queda nos valores de repasses de recursos por parte dos governos estadual e federal, o que demandaria na necessidade de rever algumas metas estabelecidas pela Lei de Diretrizes Orçamentárias.
“É um momento de queda nos repasses federais e estaduais. Mas as receitas próprias estão crescendo. Por isso a audiência pública é importante: ouvimos o Executivo e ponderamos nossos contrapontos. Afinal, cada centavo precisa ser otimizado para alcançar seu destino de forma eficiente”, comentou Vitor Emori, logo na abertura dos trabalhos, lembrando que próximos dias, os vereadores poderão protocolar emendas à LOA 2024, que será votada até o final de dezembro.
Para elaborar a peça orçamentária, o secretário Lucas Porto disse que a Prefeitura se esforçou para engajar a população para entender as prioridades. “Construímos com ajuda popular, por meio do Participa Mogi, um programa especial para estimular o Planejamento Participativo. Fizemos 12 reuniões”, comentou o mandatário da Seplag. Abílio completou: “Estamos apresentando os números com transparência e responsabilidade”.
Números
A exemplo de anos anteriores, as pastas com maior volume de rcursos são Educação e Saúde, que precisam seguir indicadores estabelecidos pela legislação que obriga o município a investir 25% e 15% dos orçamentos nas pastas respectivas. Chama atenção, no entanto, a queda de receita prevista para a Educação. Em 2023 a estimativa é de R$ 618 milhões contra R$ 602 milhões calculados para o próximo ano, uma redução de R$ 16 milhões.
No caso da Saúde teve aumento, passando dos 399,3 milhões previstos para este ano para 483,2 em 2024, um aumento na receita de R$ 83 milhões.
Houve aumento de repasses para algumas áreas estratégias como Mobilidade, Esportes e Lazer, Assistência Social, Segurança, Meio Ambiente. Alguns casos chamam atenção como o caso da Cultura, que passou de R$ 7,880 para R$ 8,177, uma elevação de R$ 300 mil. A Procuradoria Jurídica é a pasta com menor orçamento: R$ 1,2 milhão, segundo pelo Jurídico (R$ 2,3 milhões) e Planejamento e Gestão (R$ 2,9 milhões).
Confira o projeto a previsão de receita para todas as pastas no link: http://www2.cmmc.com.br/siteadmin/projetos/anexos/PL_207_23.pdf
Audiência
Durante a audiência, na Câmara, o vereador Maurino José da Silva (PODE) questionou os secretários sobre a situação econômica da cidade. “Eu vi com um certo temor dois dados: que 42% dos municípios estão em situação bem ruim, com semáforo amarelo, já partindo para o vermelho. Outro dado que me trouxe preocupação foram os duzentos milhões incertos do governo federal para o ano vindouro. O que isso significa? Mogi está em que situação?”.
O secretário Ricardo Abílio esclareceu. “O dado de 42% foi recentemente divulgado pela Firjan [Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro]. Mogi não está nesse cenário, mas estamos com a luz amarela. Hoje, praticamente, não existem cidades brasileiras no verde, com raras exceções. O governo do estado já traz uma previsão de queda em seu orçamento, o que nos causa certo temor. Porém, o governo federal tem estimativa mais otimista, mas ainda há polêmicas em torno do déficit zero e 200 milhões de receitas incertas”.
Por sua vez, Inês Paz questionou a opção de reduzir verbas de programas sociais em vez de contingenciar recursos de pastas mais “burocráticas”. “Houve cortes nas secretarias mais voltadas aos projetos sociais. No entanto, nas pastas mais ligadas à burocracia, não tivemos cortes. Vi grande incentivo na iniciativa privada, como o subsídio do transporte, que é repassado para as empresas privadas. Na Comunicação e na Publicidade também não foram aplicadas medidas de redução financeira”, criticou.
O secretário Lucas Porto disse que não houve cortes, mas suspensão de planos de expansão. “Não houve cortes, sobretudo na área social. Vamos manter os repasses para entidades sociais. O que estamos tomando cuidado é para não haver novos serviços sem que tenhamos a certeza das receitas. Já a Comunicação abrange uma miríade de tarefas: divulgar vacinação, convocação para audiência pública, campanha de castração, concurso público etc.”, argumentou.
Lucas Porto defendeu ainda o subsídio do transporte público. “Congelamos por dois anos o preço da passagem. Assinamos um termo com as empresas neste ano. Precisamos planejar, para o futuro, a tarifa zero. Toda cidade quer, mas precisamos planejar muito bem”.
Fenômenos climáticos
A vereadora Inês Paz quis saber se Mogi está preparada, em termos orçamentários, para possíveis despesas em função de fenômenos climáticos extremos, como enchentes, tempestades, ventos fortes e afins. “Sinto falta de mais investimentos em arborização, até para amenizar as temperaturas e ajudar a evitar inundações. A Prefeitura vai dar conta e está se preparando para esta nova realidade?”.
Lucas Porto disse que ontem o Executivo realizou reunião para debater o “Plano Verão 2024”. “Fizemos ontem uma reunião do Plano Verão, que envolve várias secretarias. Também já conseguimos um convênio para desassorear o Rio Jundiaí. Isso vai contribuir para a prevenção contra enchentes. Achei bastante pertinente seu questionamento, vereadora Inês. Vou perguntar novamente se daremos conta com que estamos planejando”.
Participação popular
Representante da sociedade civil, o administrador Caio Wilmus Manço sugeriu mais iniciativas do poder público para despertar o interesse da população sobre as discussões orçamentárias. “Mogi precisa de mais flexibilidade de horário, porque nem todos podem estar aqui em uma sexta-feira de manhã. Além disso, será que não dá para ter um orçamento para a formação cidadã? A gente entra no site da transparência, e os contratos estão lá. No entanto, não conseguimos entender”.
O secretário de Planejamento acenou positivamente. “Pedi para termos um módulo de Orçamento no programa Lidera Mogi (cursos de formação para lideranças comunitárias sobre o funcionamento da Prefeitura e participação popular). Além disso, estamos pensando também em formas mais lúdicas de envolver a população nesses diálogos”.