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Vazamento desconhecido em cidade de SP causa uma morte e deixa 13 com falta de ar

“Foi um filme de terror. Tinha gente caindo no meio da rua, cachorro espumando e bombeiros passando em carros mandando as pessoas deixarem suas casas. Ninguém entendia nada, uns achavam que era cheiro de água sanitária, outros que era de gás”. O relato é de Marlene Amaral, de 60 anos, que mora em Novo Pontal, […]

Por O Diário
05/10/2022 13h03, Atualizado há 689 meses

“Foi um filme de terror. Tinha gente caindo no meio da rua, cachorro espumando e bombeiros passando em carros mandando as pessoas deixarem suas casas. Ninguém entendia nada, uns achavam que era cheiro de água sanitária, outros que era de gás”. O relato é de Marlene Amaral, de 60 anos, que mora em Novo Pontal, bairro vizinho a Campos Elíseos, em Pontal, no interior de São Paulo, onde um vazamento misterioso causou a morte de uma mulher e o atendimento de emergência a pelo menos 90 pessoas que deram entrada na Santa Casa da cidade na noite de terça-feira (04) com dor no peito, ardência e falta de ar. Sete seguem internadas e duas delas precisaram ser intubadas.

Marlene trabalha no Ginásio de Esportes Adib Damião da prefeitura onde cerca de 300 pessoas desabrigadas passaram a noite. No total, pelo menos mil pessoas tiveram de deixar suas casas e foram para escolas da região.

“Foi uma coisa de louco. Eu moro perto e comecei a ouvir a gritaria, as pessoas desesperadas. Senti nariz e boca arderem. Eu e meu marido saímos correndo, deixamos tudo para trás. Fechamos a casa com meus animais, cachorro, gato, passarinhos, galinha, porque não tínhamos como levar eles e fomos para a casa da minha filha que fica longe dali, num bairro novo. Mesmo lá, algumas pessoas diziam sentir o cheiro. Hoje pela manhã meu marido voltou em casa só para ver os animais que, graças a Deus estão bem. Mas tinha cachorros espumando nas ruas”, diz Marlene, que ainda não sabe se poderá voltar para casa.

Os primeiros relatos recebidos pelos funcionários da Santa Casa são de pessoas que estavam dormindo quando foram acordadas por forte odor ácido, pressão no peito e desconforto respiratório, entre outros sintomas.

A enfermeira chefe da Santa Casa, Gildete Amador de Souza, disse ao GLOBO que pelo menos 70 moradores do bairro de Campos Elíseos foram atendidos até a meia-noite. Ela confirmou que uma mulher de 39 anos morreu com os mesmos sintomas e chegou já em quadro de parada cardiorrespiratória na emergência. A vítima foi identificada como Alessandra Alves da Silva, de 39 anos.

“No caso dela, de acordo com os médicos, ainda será necessário fazer exame para identificar a causa da morte porque não tivemos o relato da vítima. Ela veio carregada pelos próprios familiares. A princípio, ela teve os mesmos sintomas das outras pessoas, sobretudo falta de ar súbita. Muitas pessoas estavam dormindo e acordaram assim. Muitas saíram de casa à noite assustadas com o que estava acontecendo. Algumas continuam aqui em observação porque ainda sentem desconforto para respirar”, conta Gildete, que mora do outro lado da cidade, aonde os efeitos do vazamento não chegaram.

Em entrevista à rádio CBN, o prefeito de Pontal, José Carlos Neves Silva, afirmou que há no município vários fabricantes de cloro e fertilizantes e a suspeita é que o gás tóxico poderia ser cloro ou amônia. A informação ainda não foi confirmada por peritos do Corpo de Bombeiros e da Cetesb, que seguem investigando a origem do vazamento. A prefeitura informou que cinco bairros foram atingidos e carros de som circularam as ruas após o vazamento pedindo que as pessoas deixassem suas casas.

Silva afirmou que existem na cidade vários fabricantes clandestinos de produtos de limpeza, que produzem no quintal de casa.

Na manhã de hoje (05/10), dezenas de moradores do município de Pontal tentam saber se podem ou não voltar para suas casas. A Guarda Municipal disponibilizou o telefone (016) 39539999 para auxiliar com informações e orientações gerais. Quem teve que sair de casa está abrigado no ginásio da cidade.

Peritos já foram acionados para tentar identificar o que causou o incidente.

Até mesmo a prefeitura da cidade não funcionou hoje pela manhã, assim como escolas que foram orientadas a permanecerem fechadas até que o caso seja esclarecido pelas equipes técnicas no município. A orientação é para que os moradores usem máscara de proteção respiratória e a deixem imediatamente os imóveis, em caso de dificuldade respiratória ou ardência no rosto. Ainda segundo a prefeitura, as casas devem ser mantidas abertas para garantir a ventilação.

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