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Temporal deixa pelo menos 35 mortos na cidade de Petrópolis

A cidade de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, voltou a se transformar em cenário de grande desastre por conta de uma chuva forte, acompanhada de ventos, que caiu na tarde desta terça-feira. O aguaceiro provocou um enorme desabamento no Morro da Oficina, no bairro Alto da Serra, deixando mortos e muita gente […]

Por O Diário
16/02/2022 09h58, Atualizado há 689 meses

A cidade de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, voltou a se transformar em cenário de grande desastre por conta de uma chuva forte, acompanhada de ventos, que caiu na tarde desta terça-feira.

O aguaceiro provocou um enorme desabamento no Morro da Oficina, no bairro Alto da Serra, deixando mortos e muita gente soterrada. Na madrugada, a TV Diário mostrou imagens impressionantes gravadas por moradores de uma encosta vindo abaixo e levando com ela carros e casas.

O saldo do temporal, até o início da manhã, era de 35 mortos, segundo o Corpo de Bombeiros, que vem atuando durante toda a madrugada na busca pelos desaparecidos. Esse número, entretanto, poderá subir ainda mais durante o dia, quando o serviço dos bombeiros e voluntários será beneficiado pela luz natural.

A Prefeitura de Petrópolis  decretou estado de calamidade pública e o prefeito, em entrevista mostrada na tevê, na manhã desta quarta (16), garantia que haveria acomodações para todos os desabrigados em locais da própria cidade. No entanto, culpou as “desigualdades sociais” do País pelo fato de existirem muitas construções em locais irregulares do município, especialmente em encostas de morros que correm o risco de desabamento diante de uma chuva mais forte, como a que ocorreu na terça-feira.

Somente na Rua do Imperador, região Central da cidade, foram encontrados 12 corpos – sendo 11 de mulheres. Agentes da Guarda Civil acompanharam os resgates dos corpos, que estavam presos às ferragens ou ainda submersos no rio.

São poucas as ruas de Petrópolis onde não seja possível deparar com ao menos uma marca das fortes chuvas. Em um trecho de poucos metros, os repórteres mostraram um ônibus, um caminhão e 17 carros amontoados. Além de veículos, era possível ver produtos do comércio local sendo levado de dentro dos estabelecimentos pela enxurrada, ou espalhados pelas ruas, misturados à lama.

— A situação é de uma tragédia. O Corpo de Bombeiros tem dificuldade de acessar os locais mais críticos porque há muitos carros, ônibus e abandonados nas ruas. São vários pontos de deslizamento — disse o coronel Leandro Monteiro, secretário estadual de Defesa Civil, anunciando que será montado um hospital de campanha na cidade.

Quem esteve em Petrópolis, na noite de terça-feira, foi o governador do Rio, Claudio Castro, que declarou ter visto verdadeiras “cenas de guerra”. Ele esteve reunido com o prefeito Rubens Bomtempo e garantiu que haverá ajuda do Estado e também da União para ajudar na reconstrução de grande parte da cidade.

Por meio de seu Twitter, o governador disse ter orientado que “parte dos secretários se desloque para apoiar a população no que for preciso”. Também pelo Twitter, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, divulgou que ofereceu ajuda. Castro anunciou, ainda, que maquinários de órgãos estaduais e da Cedae vão para a cidade ajudar no socorro e desobstrução de ruas.

Por volta das 23h30, o cenário visto na Rua Teresa, principal polo comercial da cidade, era de devastação. A via ficou coberta por lama, e todas as lojas sem luz. Uma academia de ginástica teve diversos aparelhos de musculação jogados para a rua pela força da água.

Pela manhã, quando a luz do dia permitiu ver a extensão da tragédia –a região mais atingida pelo temporal ficou às escuras, por postes e fiações foram derrubadas pelo vento e pela força das águas-, algumas cenas chocaram ainda mais as pessoas que pareciam perdidas nas ruas da cidade: corpos de vítimas arrastadas pelas enxurrada.

O Corpo de Bombeiros pedia doação de água mineral, além que a população que está segura, permanece no local que está abrigada:

— Só no fim da noite os homens que vieram do quartel da cidade do Rio conseguiram chegar por causa de um bloqueio na estrada. Teremos mais de 200 homens chegando na cidade nas próximas horas. A maior difiiculdade de acesso é na região do Morro da Oficina. São muitos desabrigados, desalojados e vamos precisar da ajuda — afirma o coronel.

A cidade entrou em estado de calamidade e, no início da madrugada desta quarta-feira, a Defesa Civil divulgou a existência de 148 pontos de deslizamentos, além de alagamentos e quedas de árvores. A maior incidência de deslizamentos ocorreu nos bairros Centro, Quitandinha, Caxambu, Alto da Serra e Castelânea. Em seis horas, o acumulado pluviométrico atingiu 259 milímetros — acima da média esperada para todo o mês de fevereiro, de 238,2 milímetros. Para o dia de hoje, os serviços meteorológicos alertavam para o risco de mais chuvas na região entre Rio, Minas Gerais e Espírito Santo, o que pode agravar ainda mais a situação em Petrópolis, em razão de os terrenos já se encontrarem encharcados, o que facilita a ocorrência de deslizamentos de encostas.

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