As vias cicláveis de Mogi
Com 32,92 quilômetros de vias cicláveis – o que inclui ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas – Mogi das Cruzes apresenta o maior índice de todo o Alto Tietê neste quesito. Mas, nem sempre os números têm muito a dizer, já que os ciclistas dependem também da qualidade dessas pistas. Os trajetos espalhados pelos distritos de Jundiapeba, […]
12/11/2021 13h45, Atualizado há 58 meses
Com 32,92 quilômetros de vias cicláveis – o que inclui ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas – Mogi das Cruzes apresenta o maior índice de todo o Alto Tietê neste quesito. Mas, nem sempre os números têm muito a dizer, já que os ciclistas dependem também da qualidade dessas pistas.
Os trajetos espalhados pelos distritos de Jundiapeba, Braz Cubas e César de Souza e bairros como Vila Nova Mogilar, Rodeio, Jardim Armênia, Socorro, Conjunto Cocuera, Jardim Santista, Vila Industrial, Vila São Francisco e Centro, nem sempre são eficientes, por não terem ligação e, muitas vezes, não recebem a manutenção adequada.
Basta uma simples volta por Mogi para encontrar ciclovias e ciclofaixas com sujeira, mato e buracos. Em alguns pontos, como é o caso da Avenida Adhemar de Barros (leia mais nesta reportagem), os ciclistas preferem até mesmo andar pela calçada, já que a ciclofaixa é estreita.
Além de ser integrante do coletivo de bicicletas MTB Mogi, Ubirajara Nunes é também arquiteto e urbanista. Ele fala com propriedade sobre os trajetos destinados às bikes e faz questão de reforçar: eles precisam ser pensados com base na opinião da população, daqueles que estão nas ruas todos os dias e usam esses caminhos para trabalhar ou para a prática do esporte.
“Em 2016, nós ciclistas participamos de vários encontros para debater junto à Prefeitura o plano de mobilidade urbana. Os ciclistas, inclusive, foram os mais participantes nessa discussão. Quando tudo começou, havia um slide destinado ao ciclismo, que depois virou um projeto de 25 páginas. Mas, até hoje isso não saiu do papel e agora a Prefeitura falar em contratar uma empresa para criar esse plano cicloviário. Não dá para entender”, lamenta.
E não basta construir essas vias. Nunes reforça que é de extrema importância que a Administração Municipal mantenha em dia a manutenção dessas pistas. As ciclofaixas e ciclorrotas dividem os espaços das pistas com os veículos e solo, consequentemente, sobre com o impacto e peso dos veículos. As ciclovias, mesmo que em um espaço separado, também não escapam dos buracos. Essas questões levam riscos à integridade dos ciclistas.
Em breve, Mogi ganhará uma nova ciclofaixa ligando a região do Socorro a César de Souza (leia mais nesta reportagem), que passará pelo leito das avenidas Vereador Narciso Yague Guimarães e João XXIII. Na opinião de Nunes, algumas intervenções já estão sendo feitas de maneira equivocadas, como o fato dela se tornar bidirecional (sentido duplo de circulação) próximo à chegada da ponte João XXIII.
“Ela vem da Narciso Yague sendo unidirecional, ou seja, com uma pista para cada sentido. Quando chega ali, ela se torna bidirecional porque carros estacionam na pista em frente a um condomínio. Mas, a partir do momento em que você está fazendo uma ciclofaixa, as bicicletas precisam ser a prioridade e não os carros que estacionam na rua. E uma mudança, que parece pequena, faz muita diferença para quem está pedalando”, pondera o Arquiteto e Urbanista.
Nunes diz ainda que é importante testar na prática para ver como, de fato, funcionará o equipamento e que é fundamental que a Prefeitura trabalhe no dia a dia para trazer para cidade vias cicláveis que realmente sejam efetivas.
Segurança X Riscos
Levar segurança ao trânsito é um dos principais objetivos das vias cicláveis. Mas, quando mal implantadas ou mal utilizadas, elas podem se tornar um problema. Engenheiro aposentado, Roque Mattos, de 68 anos, tem a bicicleta como seu principal hobby. Ele ressalta que muitas pessoas usam as ciclovias e ciclofaixas para corridas a pé, mesmo quando existe uma calçada ao lado.
“Muitas coisas as pessoas não observam e não reparam que podem ser arriscadas. Existem os ciclistas que andam nas vias, claro, mas muito pedestres usam o espaço das bikes inadequadamente. Mogi está avançando nesse sentido, mas ainda precisa melhorar. Algumas ciclofaixas precisavam ser protegidas pelas ‘tartarugas’ no chão’ e precisa haver mais manutenção e interligação entre elas”, diz.
A Secretaria Municipal de Transportes tem buscado trabalhar nessas interligações e, atualmente, estão em andamentos as obras da ciclofaixa a região do Socorro a César de Souza. O equipamento foi anunciado ao final de junho e deveria ter sido inaugurado no fim de outubro. A inauguração foi adiada e ainda não tem uma nova data para acontecer.
Os trabalhos de implantação estão em andamento com a participação de equipes da pasta e da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos. O trecho em que a ciclofaixa passará pelo leito das avenidas Vereador Narciso Yague Guimarães e João XXIII já foram demarcados, o local começou a receber a sinalização vertical estabelecida pelo projeto e foi construída ilha de proteção no encontro da avenida Vereador Narciso Yague Guimarães com a avenida Santa Rita.
Atualmente, estão em andamento os serviços de implantação de estrutura próximo à ponte sobre rio Tietê que permitirão aos ciclistas cruzar a avenida e acessar o trecho de compartilhamento entre a ciclofaixa e a calçada. Após o término desta etapa, será concluída a pintura da ciclofaixa em toda a sua extensão, implantados dispositivos de segurança para dividir a via ciclável das faixas de rolamento e complementada a sinalização vertical estabelecida pelo projeto. A entrega da ciclofaixa depende do término destes serviços, que estão condicionados, além das intervenções, às condições climáticas, principalmente no que se refere a chuvas.
Enquanto os trabalhos estão em andamento, a orientação é para que tanto motoristas quanto ciclistas trafeguem com cautela pela região, obedecendo a sinalização e colaborando para a segurança viária de todos.
Buscando ainda a ampliação dos trajetos destinados às bicicletas, Mogi conta com um Plano de Mobilidade Urbana, que traz diretrizes para toda a mobilidade do município. Para avançar na questão do transporte com bicicletas, a nova administração municipal, que tomou posse em 2021, prepara a elaboração de estudo do Plano Cicloviário do município.
Este estudo será específico para o transporte cicloviário e deverá trazer informações e subsídios para que possam ser adotadas novas medidas e intervenções, garantindo a funcionalidade do sistema e melhores condições para o trânsito com bicicletas.
A Prefeitura busca recursos para a contratação deste trabalho.
Também estão sendo realizados estudos para a implantação de mais 30 quilômetros de ciclovias, dentro dos projetos de mobilidade urbana para o desenvolvimento da região leste da cidade, o projeto Viva Mogi. Estas estruturas deverão implantadas durante as obras e os projetos de intervenções para mobilidade urbana passarão por novos estudos a serem realizados por empresa especializada com o objetivo de maximizar a eficiência das estruturas com base nas necessidades do município
Adhemar de Barros: problema antigo
Ao passar pela avenida Governador Adhemar de Barros, que liga o centro de Mogi das Cruzes ao distrito de Braz Cubas, não é difícil encontrar ciclistas fora da ciclofaixa. Desde que o equipamento foi inaugurado, durante o primeiro mandato do prefeito Junji Abe, é motivo de reclamação. Estreita – não é possível que duas bicicletas andem lado a lado – ela leva perigo aos ciclistas, que há um tempo também sofrem com os buracos da via.
O copeiro Gilvan Ferreira, de 53 anos, é um desses exemplos. Para trabalhar, em sai do Socorro e vai até Jundiapeba e, para isso, precisa utilizar a via. Mas, muitas das vezes opta por ir pela calçada, que é mais larga e não tem tantos buracos como o caminho destinado às bicicletas.
“Por mais que seja errado, nos dá muito mais segurança, com certeza. Precisava aumentar a pista, dar mais espaço a quem está de bicicleta, por ela é péssima. Há mais de 15 anos eu faço esse trajeto e a ciclofaixa nunca foi boa. Troca de prefeito e nada muda para melhor, só decai. E a cidade toda precisa de mais ciclovias, porque em muitos lugares temos que andar com os carros”, reivindica.
Quem também usa o caminho quase que diariamente é o pedreiro Paulo Nicolau Rosa, de 58 anos. Os problemas também são ressaltados por ele. “Eu sempre ando aqui e é muito perigoso. A gente precisa ter muito cuidado na hora de pedalar. Se vem outra bicicleta precisamos parar e encostar, senão caímos ou o carro pode nos pegar. Se fizessem uma obra aqui, com certeza, seria melhor, porque precisa aumentar e tirar os buracos”, ressalta.
A Prefeitura de Mogi, por meio da Secretaria Municipal de Transportes, afirmou que com relação à ciclofaixa da avenida Governador Adhemar de Barros, já possui um projeto para a ampliação da estrutura para oferecer melhores condições para o trânsito de ciclistas. A realização destes serviços está no cronograma de ações das equipes responsáveis, ainda sem data definida para início.