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Só 7% das águas da Mata Atlântica estão em boas condições de uso

Apenas 7% da água que corre pelos rios da Mata Atlântica estão em boas condições de uso. A grande maioria tem qualidade apenas regular e em 20,5% dos casos a condição é ruim ou péssima, o que significa que a água é imprópria para consumo humano, animal e produção de alimentos, além de lazer e […]

Por O Diário
22/03/2022 09h55, Atualizado há 689 meses

Apenas 7% da água que corre pelos rios da Mata Atlântica estão em boas condições de uso. A grande maioria tem qualidade apenas regular e em 20,5% dos casos a condição é ruim ou péssima, o que significa que a água é imprópria para consumo humano, animal e produção de alimentos, além de lazer e esportes.

O levantamento foi feito entre janeiro e dezembro de 2021 em 146 pontos de coletas de 90 rios e corpos d’água, localizados em 65 municípios de 16 estados do bioma Mata Atlântica. Não foi identificada água em ótima condição em nenhum dos pontos de coleta.

O levantamento, feito pelo programa Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica, aponta para uma estabilidade do Índice de Qualidade da Água (IQA) em relação a 2020. Foram nove pontos de coleta com qualidade boa – em 2020 foram 12. Outros 84 ficaram com qualidade regular, 22 foram classificados como ruins e um péssimo. No ano anterior, foram 80 em situação regular, 21 ruim e três péssimos.

Gustavo Veronesi, coordenador do programa, explica que a condição dos rios não melhora devido ao déficit de esgotamento sanitário. Para que haja uma mudança, assinala, é necessário investimento do poder público e por longo tempo. Além disso, a condição climática e o desmatamento pioram a situação.

Eventos extremos, como seca ou chuvas torrenciais, que têm sido cada vez mais frequentes, agravam os problemas. Na seca, falta capacidade de vazão para diluir os poluentes. Nas chuvas, o lixo e a poluição são carreados para os rios e córregos, aumentando a sujeira na água e o assoreamento.

Veronesi afirma que nos pontos onde há investimentos por período consistente há melhoria. É o caso do Córrego do Sapateiro, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, que voltou a ter peixes. Foi o córrego que migrou para a foz, no Rio Pinheiros, peixes avistados pela população no ano passado. O Rio Pinheiros segue em processo de despoluição.

No Rio de Janeiro, chama atenção a qualidade ruim da água no Rio Paraíba do Sul na coleta feita no município de Itaocara.

– O trabalho de recuperação dos rios é de longo prazo. Não se consegue resolver problemas de anos numa única gestão de quatro anos. Só um mandato não resolve esse tipo de problema – diz ele.

Veronesi afirma ainda que há pontos de piora na qualidade da água mesmo em rios como o Tietê, que tem um processo de recuperação que já dura 30 anos. Um deles foi observado em Botucatu, no interior de São Paulo. Para o especialista, o principal problema no local é o uso intensivo de agrotóxicos, que acabam carreados para as águas do rio. As substâncias pesquisadas são fosfato e nitrato, que acabam afetando o nível de oxigênio da água e piorando os demais indicadores.

– O rio nos conta tudo o que está acontecendo – diz Veronesi.

Outra dificuldade para a recuperação das águas é o desmatamento. A Mata Atlântica é provedora de serviços e recursos para 70% da população brasileira, mas o desmatamento prossegue e suprime vegetação nativa no entorno das cidades, com a expansão imobiliária. Restam apenas 8,5% de remanescentes florestais do bioma acima de 100 hectares de sua área original.

Se somados todos os fragmentos de floresta nativa madura acima de três hectares, são apenas 12,4% de Mata Atlântica. O percentual só chega a 28% se forem consideradas regeneração natural de áreas já desmatadas e degradadas, com vegetação jovem.

Nesta terça-feira, Dia Mundial da Água, a SOS Mata Atlântica e a Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso, em parceria com o Museu do Amanhã e outras entidades, instalam um vaso sanitário gigante, de 12 metros de altura, diante do museu para chamar atenção para a falta de saneamento básico no país.

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