‘Realizei meu sonho e o dele’, diz idosa que fez tatuagem após neto passar em medicina
Com o neto caçula no vestibular mais concorrido do país, Líbia Guerreiro apostou em sua fé católica na hora de fazer uma promessa que a levaria a fazer a primeira tatuagem em 91 anos de vida: a imagem de Nossa Senhora, para quem rezou para que o rapaz fosse aprovado no exame. No início deste […]
17/03/2022 18h03, Atualizado há 689 meses
Com o neto caçula no vestibular mais concorrido do país, Líbia Guerreiro apostou em sua fé católica na hora de fazer uma promessa que a levaria a fazer a primeira tatuagem em 91 anos de vida: a imagem de Nossa Senhora, para quem rezou para que o rapaz fosse aprovado no exame. No início deste ano, Pedro Guerreiro, de 19 anos, teve a esperada notícia de que passara para um dos cursos mais disputados entre vestibulandos e, com isso, chegou a hora de Líbia quitar as dívidas com sua santa de devoção. Na última terça-feira, 15, ela tatuou sua fé, vestida com manto sagrado, em seu antebraço direito. O tributo ao neto e à santa foi em Goiânia, onde a avó vive, a mais de 600km de Ribeirão Preto, onde Pedro já cursa o primeiro período.
– Ele não estudava muito, eu disse que precisava fazer a parte dele, mas que eu iria fazer uma promessa a minha Nossa Senhora para que ele tivesse tranquilidade na hora de fazer a prova – relata, em entrevista ao Globo.
Líbia descreve Pedro como seu neto favorito. Para justificar a predileção, ela diz que o rapaz é o mais carinhoso, atencioso e, de quebra, o caçula da família. Por estar em aula em outro estado, o estudante ainda não viu a tatuagem presencialmente.
– Ele está feliz demais por ter passado e ficou chocado ao receber a foto da mãe, achou que eu não fosse cumprir a promessa. Ficou muito bonitinha, estou realizada – diz Líbia, animada.
As fiilhas da idosa de 91 anos foram cruciais quando ele tomou a decisão arrojada. Marcia Guerreiro foi quem levou Líbia até o estúdio de Luã Queiroz. O tatuador de 32 anos conta que Líbia fez questão de participar de todo o processo. A princípio, ele iria fazer apenas os traços, mas ela pediu que o desenho tivesse cores e fosse no antebraço para ficar mais visível.
– O desenho é de minha autoria. Fiz uma adaptação original levando todos os aspectos que ela queria que tivesse. Ela foi muito forte e não reclamou de dor – revela Luã.
Há cerca de três anos e meio, Luã Queiroz abandonou a carreira nas vendas e decidiu seguir o sonho de ser tatuador. Antes da pandemia, ele atendia em uma pequena sala comercial, mas com o risco de contágio, criou um estúdio privado dentro de seu apartamento.
Em entrevista ao Globo, Luã contou que Líbia é a sua cliente mais velha. Antes, quem ocupava o posto era dona Mirtes, de 88 anos, agora desbancada pela avó coruja.
– Na época delas, tinha muito preconceito, muitas sempre sonharam em fazer, mas tinham medo. Fiquei feliz em poder tatuá-las.
Para a filha de Líbia, Claudia Guerreira, a conquista da mãe motivou a família inteira.
– Foi muito divertido para todos nós, ela está radiante por ter feito algo novo – conclui.