PDT oficializa pré-candidatura de Ciro Gomes para presidente
O PDT lançou oficialmente nesta sexta-feira (21) a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, em Brasília. Será a quarta tentativa de Ciro chegar ao Palácio do Planalto. Em seu discurso, Ciro disse ser a favor da revisão da reforma trabalhista, do teto de gastos e da política de preços da Petrobras. Por outro […]
21/01/2022 17h52, Atualizado há 689 meses
O PDT lançou oficialmente nesta sexta-feira (21) a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, em Brasília. Será a quarta tentativa de Ciro chegar ao Palácio do Planalto. Em seu discurso, Ciro disse ser a favor da revisão da reforma trabalhista, do teto de gastos e da política de preços da Petrobras. Por outro lado, defendeu o equilíbrio fiscal para ajudar no crescimento, mas disse que isso é possível sem sacrificar os mais pobres e sem estagnar o país. Afirmou ainda que vai propor uma reforma tributária e a taxação para grandes fortunas. E disse que vai ajudar os brasileiros endividados, e que, assim as “cinco ou seis famílias de banqueiros” e os “poucos milhares de especuladores” poderão “tremer de medo”.
Ciro também criticou a insistência dos governos que, segundo dele, desde a redemocratização insistem no mesmo modelo econômico e na mesma política apoiada no conchavo e na corrupção, e chamou a política de enfrentamento à pandemia no Brasil de “genocida”. Embora as críticas tenham sido generalizadas, os maiores alvos foram o atual presidente Jair Bolsonaro, e o seu antecessor, Michel Temer (2016-2018).
Ciro também prometeu a criação de um programa de renda mínima universal, que receberia o nome do ex-senador Eduardo Suplicy. O benefício agruparia os pagamentos do Auxílio Brasil, seguro desemprego e aposentadoria rural. Disse ainda que vai fomentar o acesso à internet e smartphones.
Segundo o presidente do PDT, Carlos Lupi, a pré-candidatura foi aprovada por unanimidade durante a convenção do partido ocorrida nesta sexta. Na última vez em que foi candidato, em 2018, ele ficou em terceiro lugar, com 12,47% dos votos válidos.
Ciro se apresenta como uma alternativa de esquerda, mas tenta captar parte do eleitorado de centro, sobretudo entre os que rejeitam tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o atual presidente Jair Bolsonaro, que lideram as pesquisas de intenção de voto. Levantamentos divulgados em dezembro, porém, mostram Ciro Gomes bem atrás dos rivais.
Segundo o Ipec, em levantamento divulgado em 14 de dezembro, ele tinha 5% das intenções de voto em dois possíveis cenários, enquanto Lula variava de 48% a 49%, Bolsonaro de 21% a 22%, e o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro tinha entre 6% e 8%. Já a pesquisa Datafolha, publicada em 16 de dezembro, mostrou Ciro com 7% em dois cenários diferentes. Lula ia de 47% a 48%, Bolsonaro variava entre 21% e 22%, e Moro aparecia com 9%.
Ciro fez críticas à paralisia dos últimos dez anos no Brasil. Nesse período, passaram pelo Planalto: Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Em outro momento do discurso, criticou nominalmente os três primeiros presidentes eleitos após a redemocratização: Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, por favorecer os mais ricos. Segundo ele, Lula pegou as sobras e como “filantropo” ajudou os mais pobres, numa referência ao Bolsa Família.
— Paramos no tempo e no espaço. Enquanto boa parte do mundo avançava [ao longo dos últimos dez anos],começávamos a andar para trás. Caranguejos atolados no mangue do atraso — disse Ciro, que ainda afirmou:
— Por mais que tivessem personalidades e estilos diferentes, todos os presidentes repetiram e querem continuar repetindo o mesmo modelo econômico e a mesma governança política centrada, apoiada no conchavo e na corrupção.
Depois, defendeu a revisão da reforma trabalhista, mas sem fechar os olhos à nova realidade e sem atender interesses corporativos.
— Enquanto isso, nosso povo sofre nas favelas e com a famigerada reforma trabalhista do governo Michel Temer.
Ele seguiu com as críticas às políticas implantadas no governo Temer e prometeu acabar com o teto de gastos, a qual chamou de “total draconiana austeridade de araque”:
— Esse tal teto de gasto é a maior fraude da economia brasileira.
Ciro afirmou ainda que vai propor uma reforma tributária e taxação para grandes fortunas:
— Eu taxarei sim as grandes fortunas. Eu cobrarei sim imposto sobre lucros e dividendos. Eu modificarei sim a estrutura tributária para acabar com a porca vergonha e a injustiça dos pobres e da classemédia brasileiros pagarem mais impostos que os ricos.
Ele também fez menção ao governo atual, chamando Bolsonaro de “verdadeiro boçal”:
— Tantos erros, enganação e manipulação grosseria, só poderiam resultar nessa tragédia que é o governo Bolsonaro.
E mencionou a irresponsabilidade dos governantes que contribuíram para o grande número de mortes por Covid-19 no Brasil. Segundo ele, houve uma “política genocida”.
— Embora eu ore todos os dias para que proteja a nação brasileira. E oro também para que Deus conforte as quase 650 mil famílias e amigos. Perdemos tanta gente não só pela fatalidade da pandemia, mas também pela irresponsabilidade dos nossos governantes — disse Ciro.
Afirmou ainda que quer tirar o país das “garras do ódio”.
— Quero ajudar o Brasil a se libertar das garras do ódio e da mediocridade paralisante. Ajudar o Brasil a retomar seu destino e colocá-lo no centro das decisões mundiais.
Também criticou a falta de investimentos em conhecimento:
— A incompetência de Bolsonaro só agravou uma situação que piorava ano após ano.
O slogan da campanha do pedetista é “A rebeldia da esperança”, numa tentativa de atrair eleitores jovens. O marqueteiro contratado pelo PDT para cuidar da imagem de Ciro é João Santana, que trabalhou em campanhas presidenciais vitoriosas de Lula e Dilma Rousseff. Ele volta às disputas eleitorais depois de ter sido alvo da Operação Lava-Jato e firmado acordo de delação premiada pelo qual admitiu ter recebido recurso de caixa 2 do PT. No discurso após a oficialização de sua pré-candidatura, Ciro fez referência ao slogan:
— Rebeldia e esperança são as únicas forças capazes de retirar o país das trevas.
Em um discurso ressaltando a “rebeldia” e a “esperança” de Ciro, palavras que são o mote da campanha do pedetista, o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, fez acenos a Getúlio Vargas e a Leonel Brizola, que faria 100 anos no sábado.
— O PDT honra o legado de Getúlio Vargas, presidente que mais aliou esperança e rebeldia — disse Lupi, que também afirmou: — Assim como Getúlio, Brizola sempre teve a esperança como sua companheira inseparável.
Lupi disse que Ciro é rebelde, citando alguns episódios de sua vida pública, como em 1994, quando foi ministro da Fazenda no governo do presidente Itamar Franco.
— Como ministro da Fazenda, Ciro foi rebelde. Enfrentou especuladores, salvou o Plano Real de fracassar — disse Lupi, que ainda disse: — Ciro é o mais rebelde dos políticos brasileiros. É o que traz a esperança de poder transformar o Brasil na nação que tantos sonhamos. Foi movido a rebeldia. Desafiou a velha política do Ceará.
O presidente do PDT também criticou os indicadores econômicos ruins, como o desemprego e a desigualdade social.
Ciro tem um histórico de desavenças e aproximações com o PT e Lula. Após perder a eleição para presidente em 2002, a primeira que Lula ganhou, Ciro se tornou ministro do petista. Depois saiu do governo, e tentou novamente voo próprio. Em 2018, após perder a eleição, ele se recusou a fazer campanha para o PT contra Bolsonaro no segundo turno.