Mulheres acusam o médico e obstetra Renato Kalil de abuso sexual; ele nega
Depois de ser acusado de violência obstétrica a partir de áudios e vídeos do parto da influenciadora Shantal Verdelho, o médico Renato Kalil foi acusado de abusos sexuais por duas mulheres ouvidas pelo GLOBO. A bancária Letícia Domingues disse que foi abusada mais de uma vez pelo obstetra e ginecologista na Santa Casa de Misericórdia […]
15/12/2021 11h05, Atualizado há 689 meses
Depois de ser acusado de violência obstétrica a partir de áudios e vídeos do parto da influenciadora Shantal Verdelho, o médico Renato Kalil foi acusado de abusos sexuais por duas mulheres ouvidas pelo GLOBO. A bancária Letícia Domingues disse que foi abusada mais de uma vez pelo obstetra e ginecologista na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, em 1991. A corretora de imóveis Mônica Scaldaferri disse que, quando Kalil era plantonista do Hospital São Luiz, também em São Paulo, exibiu o pênis em uma consulta depois de um parto traumático, em 1993.
O ginecologista e obstetra, diante das acusações feitas pela influenciadora, respondeu na segunda-feira em um comunicado que “o parto da Sra. Shantal aconteceu sem qualquer intercorrência e foi elogiado por ela em suas redes sociais durante trinta dias. Surpreendentemente, o dr. Renato Kalil começou a receber, nos últimos dias, ataques com base em um vídeo editado, com conteúdo retirado de contexto”.
A nota em nome do médico acrescenta que “A íntegra do vídeo (do parto) mostra que não há nenhuma irregularidade ou postura inapropriada durante o procedimento. Ataques à sua reputação serão objeto de providências jurídicas, com a análise do vídeo na íntegra”. O comunicado lembra que “Kalil é obstetra ginecologista há 36 anos, sendo um dos médicos mais reconhecidos do Brasil. Ao longo de sua carreira, já efetuou mais de 10 mil partos, sem nenhuma reclamação ou incidente”.
Aos 48 anos, Letícia Domingues, diz que foi estuprada por Kalil depois de se internar para um procedimento ginecológico na Santa Casa, em outubro de 1991, quando foi atendida com febre alta e cólica. O atendimento foi realizado inicialmente por médicas e enfermeiras, e ela diz que não conhecia Kalil e não se recorda de o obstetra ter feito parte da equipe. Ela afirma que sofreu abusos por três dias em um quarto onde foi internada sozinha
Letícia conta que tinha medo de contar aos pais o que ocorria. Kalil, segundo ela, foi um dos médicos que lhe deu alta e recomendou aos pais uma nova consulta. O pai a levou para a consulta, quando ela foi novamente abusada sexualmente, segundo o relato de Letícia.
Já o relato de Mônica Scaldaferri tem menos episódios de abuso sexual, mas também envolve violência obstétrica. A corretora conta que tinha 27 anos quando foi ao Hospital São Luiz para ter o segundo filho. A corretora diz que o plantonista que a atendeu foi Kalil e o que define como “o horror” começou na sala de pré-parto.
Mônica trabalhava como secretária da diretoria da montadora Honda e a primeira filha havia nascida de cesariana. Com o segundo filho, não conseguiu fazer o parto com o mesmo médico do pré-natal. O bebê nasceu às 3:06 da madrugada do dia 10 de setembro de 1993, a fórceps, procedimento que até hoje, diz ela, lhe causa problemas. Mônica hoje está convencida de que o ideal teria sido fazer uma segunda cesariana, já que ela não tinha, segundo confirmou, dilatação alguma.