MC Kevin respondia a 4 processos em São Paulo
Vítima fatal de uma queda do 5º andar de um hotel localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, no domingo passado (16), o cantor de funk Kevin Nascimento Bueno, o MC Kevin, de 23 anos, morador do Condomínio Aruã Eco Park, em Mogi das Cruzes, respondia por quatro inquéritos abertos pela polícia do […]
23/05/2021 16h35, Atualizado há 688 meses
Vítima fatal de uma queda do 5º andar de um hotel localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, no domingo passado (16), o cantor de funk Kevin Nascimento Bueno, o MC Kevin, de 23 anos, morador do Condomínio Aruã Eco Park, em Mogi das Cruzes, respondia por quatro inquéritos abertos pela polícia do Estado de São Paulo.
Ao longo dos últimos quatro anos, quando o fankeiro viveu uma das melhores fases de sua meteórica carreira, o artista acabou indiciado em inquéritos policiais por receptação de celular furtado, embriaguez ao volante, posse de drogas para uso pessoal, além da acusação por haver, segundo denúncias, infringido medidas sanitárias adotadas por conta da pandemia. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo, do Rio de Janeiro, durante o último final de semana.
Enquanto a morte do MC Kevin continua envolta em um mistério, ainda com muitas perguntas a serem respondidas por quem a investiga, os inquéritos contra ele continuavam tramitando. Em nenhum deles houve condenação. Mas agora, por conta da morte do cantor, a sua punibilidade será extinta e deverão ser requisitados os arquivamentos de todas essas ações.
A mais recente ocorrência envolvendo o MC Kevin é justamente a única delas registrada em Mogi das Cruzes. No dia 13 de maio de 2020, no 3º Distrito Policial de Mogi das Cruzes, localizado no bairro de Vila Suíssa, em César de Souza, foi registrado um boletim de ocorrência por um representante do Condomínio Aruã Eco Park, onde o artista residia. O reclamante disse à Polícia que tomou conhecimento, por redes sociais e pela imprensa, que o funkeiro estaria com Covid-19 e, mesmo assim, não respeitava os “procedimentos de isolamento”, circulando de carro e mantendo “contato físico no dispositivo de liberação da cancela de saída, ou seja, inseriu as suas digitais no equipamento de uso comum de outros moradores, colocando em risco a saúde de outros condôminos”.
De acordo com relatos de moradores do Aruã, MC Kevin teria frequentado algumas áreas comuns do condomínio, como a academia, o que estaria proibido pelas regradas adotadas para preservar a saúde dos condôminos.
Para o delegado, o representante do condomínio mostrou cópias de postagens da rede social Instagran, onde Kevin pedia desculpas pelo comportamento, além de imagens das câmeras de segurança do local.
Kevin foi autuado por infração de medida sanitária preventiva, crime tipificado pelo artigo 268 do Código Penal. Esse artigo abrange quem “infringir determinação do poder público destinada a impedir a introdução ou propagação de doença contagiosa”. Por conta da pandemia do novo coronavírus, foram criadas leis e decretos que passaram a regulamentar a sua aplicação.
Maconha
Segundo o jornal carioca, no dia 10 de março de 2019, o MC Kevin foi levado por PMs ao 73º Distrito Policial do Jaçanã, em São Paulo, momentos depois de haver sido pego fumando um cigarro de maconha, junto com um amigo, no interior de seu carro. Os policiais militares narraram que durante a abordagem, o MC Kevin, de “maneira bastante exaltada”, reagiu e “tentou se desvencilhar”, voltando, logo em seguida, para o interior de seu automóvel. De lá, teria saído com dois copos de bebida alcoólica. Ao ser advertido por um dos soldados, ele teria continuado a manter sua postura rebelde até ser levado para a Delegacia. Lá, os PMs contaram que Kevin “Afirmava ser artista e que não iria a lugar algum, da mesma forma que ninguém iria entrar em seu veículo. Diante disso, conforme ainda o relato dos policiais, o cantor teve de ser algemado e colocado na viatura. Kevin teria rejeitado os pedidos do amigo para que “colaborasse” com as autoridades.
MC Kevin acabou autuado por posse de drogas para consumo pessoal e, depois de assinar um termo de compromisso, acabou liberado.
Celular furtado
Levantamento realizado pelo jornal carioca mostra ainda que no dia 28 de junho de 2016, policiais militares que realizavam uma ronda a pé abordaram o MC Kevin e outros dois homens que se encontravam no interior de um automóvel. Durante a revista pessoal ao cantor foi encontrado um celular do tipo Iphone, que aparecia nos registros policiais como furtado no dia 4 de agosto do ano anterior. Interrogado sobre o assunto, Kevin respondeu que o aparelho “poderia ser de procedência duvidosa”. Em razão disso, acabou recebendo voz de prisão e, desta vez, foi parar no 90º Distrito Policial do Novo Mundo, em São Paulo.
Lá, sua prisão teria sido ratificada pelo delegado de plantão, que arbitrou a fiança no valor de R$ 1 mil. Com o pagamento do valor pelo advogado de MC Kevin, ele foi liberado da prisão, mas não escapou de ser indiciado pelo crime de receptação. O caso redundou num processo que está em andamento junto à 8ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, na Capital paulista.
Colisão sem CNH
O outro caso envolvendo o MC Kevin ocorreu, segundo o jornal, em 13 de julho de 2016. Ao atenderem a um chamado recebido pelo Centro de Operações da PM paulista, policiais militares foram atender a uma ocorrência de trânsito que envolvia dois veículos. MC Kevin, que dirigia Hyundai Tucson, sem ter Carteira Nacional de Habilitação, avançou o sinal vermelho e colidiu com outro veículo e ainda atingiu o muro de proteção da via férrea. Ao passar pelo teste do bafômetro, constatou-se a presença de 0,49 mg/l de álcool no sangue, medida muito superior aos 0,33 mg/l permitidos pela legislação em vigor no País.
Kevin foi conduzido para o 24º DP da Ponte Rasa, em São Paulo, onde foram constatados “sinais notórios de ter ingerido bebida alcoólica em excesso”, como “vermelhidão nos olhos, andar cambaleante e forte odor etílico, além de fala desconexa”, o motorista optou por ficar em silêncio. Foi o que bastou para que o delegado de plantão naquela noite lhe desse voz de prisão, tendo definido a fiança no valor de R$ 1 mil para que ele pudesse responder ao processo em liberdade. Concluída a pericia pelos técnicos do Instituto Médico Legal, o carro de Kevin foi liberado e entregue a dona Valquíria Nascimento dos Santos, mãe do funkeiro.
Últimas notícias
Segundo informações divulgadas, ontem à tarde, pela imprensa carioca, o laudo da perícia do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) feita no hotel da orla da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, concluiu que a queda do cantor Kevin Nascimento Bueno, o MC Kevin, da varanda da suíte 502, “teve como causa aparente um acidente”, que causou a morte do funkeiro, na noite do último domingo, dia 16.
Assinado pelo perito Luiz Alberto Moreira Coelho, o documento obtido com exclusividade pelo jornal O Globo aponta que não havia no quarto indícios de “briga” ou “ações violentas”.
Segundo informa o jornal Extra, do Rio, “no apartamento, além de Kevin, estavam o amigo dele Victor Elias Fontenelle e a modelo Bianca Domingues. O resultado da prova técnica poderá corroborar a versão apresentada pelas duas testemunhas, que alegam que o funkeiro, acompanhado da moça, estaria na sacada quando tentou passar para o andar de baixo e acabou se desequilibrando acidentalmente”