Mais um nome deixa o PL após filiação de Bolsonaro ao partido
O ex-deputado federal por São Paulo Milton Monti anunciou, nesta quinta-feira (9), sua desfiliação do PL, como reação à chegada do presidente Jair Bolsonaro à legenda, um dos pilares do centrão. Para ele, ao abrir as portas ao titular do Palácio do Planalto, o partido se mostra disposto a dar passos à direita. — (O […]
09/12/2021 17h14, Atualizado há 689 meses
O ex-deputado federal por São Paulo Milton Monti anunciou, nesta quinta-feira (9), sua desfiliação do PL, como reação à chegada do presidente Jair Bolsonaro à legenda, um dos pilares do centrão. Para ele, ao abrir as portas ao titular do Palácio do Planalto, o partido se mostra disposto a dar passos à direita.
— (O PL) vai tomar um rumo de um partido de extrema direita. Não é questão pessoal com o presidente, mas a doutrina política que será adotada a partir de agora. Sem dúvidas, o partido será um partido de extrema direita. Minha posição política é outra. Sou uma pessoa de centro.
Monti foi deputado federal entre 1999 e 2018 e pretende voltar à corrida eleitoral no próximo ano. Ele não definiu, porém, a qual sigla pretende se filiar.
Em carta compartilhada em seu perfil nas redes sociais, o ex-deputado solicita sua desfiliação junto ao partido, mas agradece, “na pessoa do Presidente Valdemar Costa Neto”, “por todos os amigos e companheiros de partido” que fez durante os anos como membro da sigla.
“É preciso registrar também que embora respeite as decisões partidárias, considero que os caminhos adotados pelo partido não coincidem mais com aqueles que sempre trilhei e pretendo continuar trilhando”, reforçou no texto.
Antes do ex-parlamentar, o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (AM), já havia afirmado que estava de saída. Na ocasião, Ramos afirmou que “só há um extremo nesta eleição: Bolsonaro”. O deputado disse ainda que o presidente “não é o melhor para o futuro do país” e que, diante disso, ele não pode comprometer o que acredita para “ser melhor para as futuras gerações”.
— Eu não estarei em um palanque, o de Bolsonaro. Onde eu estarei, o tempo irá dizer — disse o parlamentar.
O anúncio foi oficializado nesta terça-feira, quando Ramos recebeu autorização do PL para deixar a sigla. Na carta enviada ao deputado, Valdemar Costa Neto, presidente do partido, informou que não utilizará das ”prerrogativas” que tratam da fidelidade partidária diante da saída de Ramos. Com isso, o deputado pode sair do PL sem ter o seu mandato cassado na Justiça Eleitoral por conta de infidelidade partidária.
O documento afirmava ainda que a permanência de Ramos se tornou ”insustentável” diante das divergências políticas e que causaria ”constrangimento de natureza política para ambas as partes”, caso Ramos continuasse no partido.
A filiação de Bolsonaro ao PL, inclusive, gera divergências no partido desde antes de sua concretização. Antes marcada para o dia 22 de novembro, a chegada oficial do presidente da República ao partido só aconteceu no dia 30 daquele mês, depois de “intensa troca de mensagens” entre ele e Costa Neto. O entrave eram os acordos estaduais do PL. A situação só foi resolvida depois de nova reunião entre os dois. Na ocasião, Valdemar prometeu romper acordos já firmados e evitar alianças locais com partidos de esquerda.
O movimento, no entanto, não significou uma resolução definitiva dos problemas. A situação será mais complicada na Bahia e em outros estados do Nordeste. A região é o principal reduto eleitoral do ex-presidente Lula e lideranças do partido admitem nos bastidores que será difícil evitar que os candidatos do partido não apoiem o petista.