Justiça manda soltar Colômbia, apontado como mandante das mortes de Bruno e Dom
A Justiça Federal do Amazonas autorizou, na última quinta-feira, a soltura de Ruben Dario da Silva Villar, o Colômbia, preso desde o dia 8 de julho, suspeito de chefiar uma quadrilha de pesca ilegal na reserva indígena Vale do Javari, no Amazonas. Ele é apontado como suposto mandante do crime contra o indigenista Bruno Pereira […]
09/10/2022 15h26, Atualizado há 689 meses
A Justiça Federal do Amazonas autorizou, na última quinta-feira, a soltura de Ruben Dario da Silva Villar, o Colômbia, preso desde o dia 8 de julho, suspeito de chefiar uma quadrilha de pesca ilegal na reserva indígena Vale do Javari, no Amazonas. Ele é apontado como suposto mandante do crime contra o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, assassinados a tiros quando voltavam de uma viagem pelo rio Itacoaí, no dia 5 de junho, após uma emboscada. No momento, Colômbia segue preso por conta de outro mandado de prisão relativo a sua participação em crimes ambientais de pesca ilegal.
No próximo dia 24, Colômbia passara por uma nova audiência.
A decisão é da Vara Federal Cível e Criminal de Tabatinga. Segundo ela, Ruben Villar ficará em liberdade provisória, submetido a medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, e mediante o pagamento de uma fiança de R$ 15 mil.
Colômbia também não poderá deixar cidade de Manaus, já que o município onde reside, Benjamin Constant, sofre com uma conexão de internet precária, o que dificultaria o monitoramento, segundo disse ao GLOBO o seu advogado Eduardo de Souza Rodrigues. A defesa de Colômbia nega ainda as acusações contra o seu cliente de envolvimento nas mortes. O Ministério Público Federal recorreu da decisão de quinta-feira.
Apesar das acusações, Colômbia, cuja nacionalidade é colombiana, foi preso ao se apresentar à PF como Rubens Villar Coelho, de nacionalidade peruana, com documentos falsos, durante depoimento. Ele foi preso em flagrante pelo delegado da PF, Ramón Santos Morais.
Colômbia é apontado por indígenas como o mandante das mortes de Bruno e Dom. Ele também é suspeito de usar o esquema da pesca ilegal de pirarucu, tracajás e animais de caça para lavar dinheiro do narcotráfico.
Continuam presos ainda Amarildo Costa de Oliveira, conhecido como “Pelado”, réu confesso do crime. Além de Amarildo, outros dois suspeitos do crime estão presos em Manaus: Jeferson da Silva Lima, conhecido como “Pelado da Dinha”, e Oseney da Costa de Oliveira, o “Dos Santos”, irmão de Amarildo.
Entenda o caso
O desaparecimento foi revelado pelo GLOBO e confirmado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), região com a maior concentração de povos indígenas isolados do mundo, no dia 6 de junho. O indigenista Bruno Araújo, que acompanhava o jornalista britânico, era alvo constante de ameaças pelo trabalho que vinha fazendo junto aos indígenas contra invasores na região, pescadores, garimpeiros e madeireiros.
A PF também investiga se um esquema de lavagem de dinheiro para o narcotráfico por meio da venda de peixes e animais pode estar relacionado ao desaparecimento da dupla.
O GLOBO apurou que apreensões de peixes que seriam usados no esquema foram feitas recentemente por Bruno Pereira, que acompanhava indígenas da Equipe de Vigilância da União dos Povos Indígenas do Javari (Unijava). As embarcações levavam toneladas de pirarucus, peixe mais valioso no mercado local e exportado para vários países, e de tracajás, espécie de tartaruga considerada uma especiaria e oferecida em restaurante sofisticados dentro e fora do país.
A ação de Pereira contrariou o interesse do narcotraficante conhecido como “Colômbia”, que tem dupla nacionalidade brasileira e peruana. Ele usa a venda dos animais para lavar o dinheiro da droga produzida no Peru e na Colômbia, que fazem fronteira com a região do Vale do Javari, vendida a facções criminosas no Brasil. Há suspeita de que ele teria ordenado a Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, a colocar a “cabeça de Bruno a leilão”.