Juros são ‘proibitivos’ para investir no país, diz presidente do Bradesco
O presidente executivo do Bradesco, Octavio de Lazari, afirmou que o atual patamar da taxa de juros Selic, em 10,75%, torna proibitiva a tomada de empréstimos de longo prazo, de até dez anos, para que grandes empresas façam novos investimentos no país. O executivo lembrou que os juros futuros já estão em 12% e, com […]
09/02/2022 17h53, Atualizado há 689 meses
O presidente executivo do Bradesco, Octavio de Lazari, afirmou que o atual patamar da taxa de juros Selic, em 10,75%, torna proibitiva a tomada de empréstimos de longo prazo, de até dez anos, para que grandes empresas façam novos investimentos no país. O executivo lembrou que os juros futuros já estão em 12% e, com o spread dos bancos (taxa cobrada pelo empréstimo), chegam ao patamar de 15%.
— Há uma preocupação das empresas em tomar linhas de crédito com taxa de juros deste tamanho para fazer grandes investimentos num ano de eleições. A taxa é proibitiva. É difícil ter um negócio que ofereça um retorno maior que esse patamar de juros — disse Lazari durante apresentação dos resutados do banco de 2021.
É a primeira vez em cinco anos que o Banco Central elevou a taxa Selic, referência para outras taxas de juro do mercado, acima dos 10%.
O presidente do Bradesco lembrou que 40% da carteira de crédito do banco são destinados a grandes empresas. No final do ano passado, em conversa com esses clientes, o banco constatou já uma diminuição no ritmo de tomada de crédito.
Ele afirmou que as empresas continuam tomando empréstimos de curto prazo para capital de giro ou para reforçar o estoque.
— Mas não há notícias das companhias anunciando grandes investimentos. Além dos juros, o cenário político e econômico, com inflação alta e taxa de câmbio valorizada, tira o apetite dos empreendedores para tomar crédito de longo prazo — afirmou.
No ano passado, a carteira de crédito destinada a grandes empresas cresceu 11%. Já entre as micro, pequenas e médias empresas o crescimento da carteira de crédito foi de 24,5%. A carteira de crédito expandida do banco cresceu 18,3% em 2021. Para este ano, o Bradesco reduziu a expectativa de crescimento do crédito para entre 10% e 14%.
Lazari também vê impacto negativo na oferta de financiamento imobiliário, já que as taxas de juros nessa linha estão em cerca de 10% ano. No ano passado, o crédito imobiliário no Bradesco cresceu 31,2%.
O executivo observou que a liberação de crédito por canais digitais representou 30% no ano passado, chegando a R$ 88,2 bilhões. Trata-se de uma mudança nos negócios do banco, com adoção de tecnologia intensiva e transformação cultural dos clientes.
Entre 2020 e 2021, o Bradesco transformou agências em unidades de negócios, estruturas mais enxutas. Este ano, esse movimento deve continuar e chegar a 500 agências, revelou Lazari.
Em 2021, o Bradesco teve um lucro líquido de R$ 26,2 bilhões, um recorde histórico anual. O resultado foi 35% superior ao de 2020. Este ano, mesmo com previsão de expansão menor para a economia, o Bradesco projeta novo crescimento.
No quarto trimestre de 2021, o lucro do banco foi de R$ 6,6 bilhões, 2% menor do que no mesmo período do ano passado. Analistas do banco UBS consideraram ‘decepcionantes’ os ganhos do último trimestre do ano passado.
Para este ano, o UBS projeta ganhos menores para o Bradesco, o que deve impactar as ações da instituição financeira no curto prazo.