Ex-deputada Flordelis condenada a 50 anos pela morte do marido
O Tribunal do Júri de Niterói condenou Flordelis dos Santos pela morte do pastor Anderson do Carmo, morto em 2019. O julgamento durou sete dias, um dos mais longos da história do Rio de Janeiro.A derradeira sessão durou quase 24 horas. A pastora recebeu pena de 50 anos e 28 dias de prisão pelos crimes […]
13/11/2022 10h38, Atualizado há 689 meses
O Tribunal do Júri de Niterói condenou Flordelis dos Santos pela morte do pastor Anderson do Carmo, morto em 2019. O julgamento durou sete dias, um dos mais longos da história do Rio de Janeiro.A derradeira sessão durou quase 24 horas.
A pastora recebeu pena de 50 anos e 28 dias de prisão pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio (por tentativas de envenenar a vitima), uso de documento falso (pelo plano de uma carta fraudada) e associação criminosa armada.
Além da pastora, foi condenada sua filha biológica Simone dos Santos Rodrigues. Ela recebeu pena de 31 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio e associação criminosa armada. Os outros três réus – Marzy Teixeira, André Luiz de Oliveira e Rayane dos Santos – foram absolvidos.
O júri foi composto por sete moradores de Niterói, quatro homens e três mulheres, que não necessariamente têm formação jurídica.
Flordelis foi interrogada no sábado (12) por cerca de uma hora. A ex-deputada respondeu apenas às perguntas feitas por sua defesa e dos jurados — ela se recusou a ser questionada pelo Ministério Público e pelo assistente de acusação — o que é um direito do réu. Em momentos, respondendo com voz trêmula, a pastora foi perguntada por um jurado se o choro era real. Ela garantiu que sim.
Mesmo dizendo não saber quem matou seu marido, Flordelis contou que o motivo do crime foram os supostos abusos cometidos por Anderson do Carmo. A ex-deputada afirma que não sabia dos episódios antes do assassinato e também acusou o marido de abusá-la sexualmente. No entanto, minutos mais tarde, também no seu interrogatório, Rayane contradisse a avó ao afirmar que em 2016 contou à ex-deputada sobre um abuso sofrido por Kelly, uma das filhas adotivas de Flordelis, mas a pastora não acreditou.
— No início do nosso casamento era muito bom, foi um início muito bom. Quero ressaltar que estava casando por causa dos problemas muito fortes que tinha na época. Sempre tive costume de assinar documentos sem ler. Depois de casada, começou a me bater. Ele me batia. Depois ele parou com essa prática de me bater. Depois ele se tornou uma coisa assim, muito doída, muito sofrida.
Quanto a uma das acusações que os réus enfrentaram foi uma tentativa de envenenamento do pastor antes de seu assassinato. Conforme as investigações, em uma mensagem enviada por um telefone da filha, Flordelis teria dito não poder se separar do marido para não “escandalizar”. Para seu filho André, que sentou-se ao seu lado no banco dos réus, ela teria pedido ajuda “para dar um fim nisso”, se referindo a Anderson do Carmo. Questionada pelos jurados, ela não negou a autoria das mensagens, mas disse que não seria para envenenar:
— Essas coisas que estão falando não é verdade. Quando eu disse para dar a comida para ele, era porque meu marido estava doente. Ele tomava remédios. Tenho todos os exames. Ele só ia ao hospital obrigado — disse.
Após o interrogatório dos réus, começaram os debates entre a defesa e a acusação.
Após a explanação da defesa, MP e assistente de acusação tiveram duas horas de réplica e, em seguida, os advogados mais duas horas de tréplica. Devido ao número de réus, a defesa pediu para que o tempo do debate fosse aumentado.
Os jurados votaram quesitos, formulados pela juíza, sobre a existência ou não do crime, autoria ou participação dos réus, se deviam ser absolvidos, se existiam causas de aumento de pena, entre outros. A votação aconteceu na chamada “sala secreta”. Após a votação, a magistrada elaborou a sentença e estipulou a pena, de acordo com os quesitos votados pelos jurados.