Deslizamento destrói imóveis históricos em Ouro Preto (MG)
Um deslizamento de terra na cidade mineira de Ouro Preto destruiu casas na manhã desta quinta-feira (13). Imagens feitas por populares mostram o momento em que parte do Morro da Forca desaba no centro histórico do município mesmo sem chuva. Pelo menos dois imóveis históricos e tombados foram atingidos. Um deles, um casarão do século […]
13/01/2022 15h00, Atualizado há 689 meses
Um deslizamento de terra na cidade mineira de Ouro Preto destruiu casas na manhã desta quinta-feira (13). Imagens feitas por populares mostram o momento em que parte do Morro da Forca desaba no centro histórico do município mesmo sem chuva.
Pelo menos dois imóveis históricos e tombados foram atingidos. Um deles, um casarão do século XVIII, pertence à prefeitura de Ouro Preto e estava interditado desde 2012. Até o momento, não há informações de vítimas.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 8h30 para realizar uma vistoria no local. O colapso ocorreu por volta das 9h10. Após o desabamento, o local foi isolado. Moradores da região também foram retirados de suas casas.
Pouco antes do deslizamento, o coordenador da Defesa Civil do município, Neri Moutinho, pediu que a população não transitasse naquela área, que havia sido interditada.
Segundo a Defesa Civil, ainda há uma instabilidade do talude. Se houver outro desmoronamento, há a possibilidade de um hotel e um restaurante serem atingidos.
— Por mais que não chova na região nesse momento, o risco geológico continua muito alto, devido às chuvas muito fortes que acometeram nos últimos dias a região, o que acaba fazendo com que o solo fique saturado de água, e essa saturação pode gerar um movimento de massa mesmo no momento em que a chuva não está acontecendo. — disse o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram moradores correndo para se protegerem após o desabamento, que atingiu a rede elétrica e provocou a interrupção do fornecimento.
A prefeitura informou que a Receita Municipal suspendeu temporariamente o atendimento presencial. Os serviços online também estão indisponíveis.
Em entrevista à GloboNews, prefeito Ângelo Oswaldo disse que há riscos de novos desmoronamentos, mas afirmou que as áreas já estão sendo monitoradas e isoladas pela Defesa Civil. Ele explicou que essas ocorrências são comuns no município, embora desta vez o volume de terra tenha sido bem maior.
— Temos várias áreas de risco. Algumas que foram ocupadas indevidamente e por isso o risco aumentou muito mais. Tem possibilidade de deslizamento. Tudo está sendo monitorado — disse o prefeito Ângelo Oswaldo em entrevista à GloboNews. — Faz parte do solo ouro-pretano. Felizmente nenhuma pessoa foi vitimada e nenhum monumento importante no centro histórico foi destruído. Não tivemos nenhum dano maior ao patrimônio cultural.
Ouro Preto é um dos 374 municípios em situação de emergência devido às fortes chuvas que assolam Minas Gerais há dias. Um morador da cidade morreu soterrado após ter sua casa atingida por um deslizamento de terra na segunda-feira. A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) informou nesta quinta-feira que as tempestades fizeram 25 vítimas desde outubro do ano passado.
O estado tem 4.047 pessoas desabrigadas, que necessitam de abrigo público, e 26.492 desalojadas, que foram deslocadas para casa de parentes e amigos.
Testemunha ocular
Dono de uma barbearia há cerca de 500 metros do local em que houve o desmoronamento de terra que soterrou duas casas em Ouro Preto nesta quinta-feira, Fábio Rogério Alves foi um dos primeiros a perceber os sinais de queda de terra no Morro da Forca. Ele próprio conhece bem o local e chegou a ter sua barbearia em um dos imóveis agora soterrados.
— A Defesa Civil tinha pedido para a gente desocupar por conta de risco de desabamento, isso há 4 anos. O risco disso acontecer ali é conhecido tem uns 10 anos — conta.
Pelo menos dois prédios históricos e tombados foram atingidos pelo deslizamento de terra. Um dos casarões soterrados, uma construção do século XVIII, de propriedade da prefeitura da cidade, encontrava-se interditado desde 2012. Segundo o Corpo de Bombeiros, as duas construções estavam vazias e não há vítimas. Segundo ele conta, nesta manhã, ao chegar para trabalhar na barbearia, hoje localizada próxima a uma estação de ônibus, ele foi alertado por um cliente, que viu a queda de pequenos pedaços de terra:
— Fomos até lá ver. Na hora, passou um motorista de caminhão que conseguiu avisar a uma engenheira da Defesa Civil, que estava em outro ponto da cidade. Quando ela chegou, nós começamos a pedir para as pessoas não passarem por ali — conta.
Em dado momento, os três chegaram a perceber que uma dilatação de cerca de 10 centímetros se formava em uma laje no morro:
— Foi em questão de minutos. Chegou a Defesa Civil e os Bombeiros. Fecharam o local e o morro caiu — diz.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 8h30 para realizar uma vistoria no local. O colapso ocorreu por volta das 9h10.
Pouco antes do deslizamento, o coordenador da Defesa Civil do município, Neri Moutinho, pediu que a população não transitasse naquela área, que havia sido interditada. De acordo com a Defesa Civil, ainda há instabilidade do talude. Um novo desmoronamento pode atingir um restaurante e um hotel próximos, que já foram evacuados. Moradores da região também foram retirados de suas casas.