Comunidade ligada à embaixada da Ucrânia pede cassação de mandato de Arthur do Val
A Representação Central Ucraniana-Brasileira (RCUB), comunidade de brasileiros descendentes de ucranianos ligada à Embaixada da Ucrânia no Brasil, apresentou ao presidente da Assembleia Legislativa de SP, deputado Carlão Pignatari (PSDB), um requerimento pela cassação do mandato de Arthur do Val (Podemos). O parlamentar teve áudios de conteúdo sexista divulgados após visita ao país. Em comunicado […]
05/03/2022 17h34, Atualizado há 689 meses
A Representação Central Ucraniana-Brasileira (RCUB), comunidade de brasileiros descendentes de ucranianos ligada à Embaixada da Ucrânia no Brasil, apresentou ao presidente da Assembleia Legislativa de SP, deputado Carlão Pignatari (PSDB), um requerimento pela cassação do mandato de Arthur do Val (Podemos). O parlamentar teve áudios de conteúdo sexista divulgados após visita ao país.
Em comunicado enviado à Alesp, a RCUB disse que “o deputado Arthur do Val revelou-se uma pessoa de índole perigosa para o exercício de funções públicas onde sempre há que se tratar com mulheres em situação de vulnerabilidade”. Além disso, a representação ucraniana pediu a Pignatari que solicite às autoridades policiais internacionais uma investigação sobre o possível aproveitamento sexual de mulheres vulneráveis atingidas pela guerra.
Em nota, a Alesp repudiou a fala do deputado e mencionou solidariedade às mulheres ucranianas. O presidente Pignatari caracterizou a atitude de Arthur do Val como “inaceitável”, e disse que será tratada com rigor e seriedade pelas esferas de investigação do Parlamento, mas não mencionou uma possível cassação.
Convocação
O presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Humberto Costa (PT-PE), anunciou neste sábado em uma rede social que vai apresentar um requerimento de convocação do deputado estadual Arthur do Val (Podemos-SP). “Ele terá de comparecer para explicar as declarações misóginas, machistas e atentatórias à dignidade humana que fez contra as ucranianas”, disse Costa, no Twitter.
O requerimento deve ser votado já na próxima segunda-feira, na reunião deliberativa da comissão. Para o petista, é “inadmissível que alguém com mandato parlamentar agrida vítimas de guerra de forma tão brutal, aumentando o horror da tragédia já vivida por elas”.
“Ou tomamos uma atitude drástica ou essa violência praticada por um parlamentar pode ser encarada como uma agressão do próprio Brasil”, acrescentou o senador pernambucano.
O requerimento de convocação aponta que o parlamentar deverá “prestar esclarecimentos diante deste colegiado acerca das falas misóginas, machistas, sexistas e atentatórias à dignidade humana”.
Em outra manifestação de integrantes da Casa, a procuradora Especial da Mulher do Senado, Leila Barros (Cidadania-DF), e a líder da bancada feminina na Casa, Eliziane Gama (Cidadania-MA), defenderam que Arthur do Val deve “sofrer as sanções políticas cabíveis”.
“São repugnantes, asquerosas e uma das maiores indignidades que já vimos. Agridem as mulheres, envergonham o Brasil, enxovalham a política. Pior, foram feitas em um contexto de guerra e dor. As palavras do deputado evidenciam que o machismo é um dado cultural que ultrapassa classes sociais e ideologias, contaminando até aqueles que, nas altas funções que exercem, deveriam zelar pelo humanismo e pelo respeito às mulheres, em atos e palavras”, afirmaram em nota.
Na manhã deste sábado, o deputado desembarcou no aeroporto internacional de Guarulhos (SP) e se explicou sobre o áudio, que provocou uma onda de repúdio de diversas figuras políticas, inclusive entre seus aliados, como o ex-ministro da Justiça Sergio Moro (Podemos-PR).
— Foi errado o que eu falei, não é isso o que eu penso. O que falei foi um errou num momento de empolgação. Foi um áudio machista, assumo, peço desculpas a todas as mulheres — disse Do Val.
Segundo o palarmentar, o áudio foi enviado a um grupo privado e teria ocorrido em um momento de descontração, quando cruzava a fronteira da Ucrânia com a Eslováquia.