‘Bandido que não quer ser morto, que não reaja quando for abordado’, diz governador de São Paulo
Pré-candidato à reeleição, o governador, Rodrigo Garcia (PSDB), afirmou nesta quarta-feira (4), durante sabatina ao UOL e o jornal Folha de S.Paulo, que a polícia disse de São Paulo vai reagir contra a alta dos crimes patrimoniais e disse que “bandido que não quer ser morto, não reaja”. Ao tratar sobre o anúncio que fez […]
04/05/2022 18h06, Atualizado há 689 meses
Pré-candidato à reeleição, o governador, Rodrigo Garcia (PSDB), afirmou nesta quarta-feira (4), durante sabatina ao UOL e o jornal Folha de S.Paulo, que a polícia disse de São Paulo vai reagir contra a alta dos crimes patrimoniais e disse que “bandido que não quer ser morto, não reaja”.
Ao tratar sobre o anúncio que fez nesta manhã sobre grandes operações policiais contra roubos, furtos e golpes de pix, Rodrigo ainda reiterou o que disse mais cedo em coletiva à imprensa: “bandido que levantar a arma contra polícia vai levar bala”.
Nas últimas semanas, o governador tem feito acenos às polícias e aposta em ações na área de segurança na tentativa de se aproximar do eleitorado conservador. A ofensiva faz parte de um esforço para decolar nas pesquisas de opinião e descolar sua imagem do ex-governador João Doria, que é pré-candidato à presidência, e que tinha a antipatia do segmento em razão de seu discurso antibolsonaro e tem alta rejeição nas pesquisas de intenção de voto.
—Anunciei uma operação pra sufocar o crime em São Paulo.Vamos dobrar o número de policiais dedicados à capital e chegar a 10 mil homens (…) Eu disse que bandido que cometer crime vai ser preso e quem levantar arma vai tomar bala — disse Rodrigo que ainda acrescentou: —Acredito que a polícia deve e vai reagir contra o crime. Bandido que não quer ser morto, que não reaja quando for abordado. Isso é defender a vida do policial e fazer com que, dentro dos limites da lei, ele possa reagir. Quero passar uma mensagem de mais segurança pra população — complementou.
O patamar dos crimes patrimoniais se aproxima do registrado antes da pandemia, e as autoridades o relacionam ao aumento da circulação de pessoas. Na semana passada, o governador trocou o comando da PM e da Polícia Civil e empossou nomes operacionais nas chefias, que estavam diretamente ligados à organização de tropas ou investigações. De acordo com aliados do governador, diante do avanço do pré-candidato de Jair Bolsonaro ao governo e ex-ministro, Tarcísio de Freitas (PL), nas intenções de voto em São Paulo, a prioridade à Segurança para a imagem da campanha do tucano tornou-se mais urgente.
Ainda na área de segurança, Rodrigo tratou de uma das pautas que tem sido explorada por Tarcísio, cuja campanha promete acabar com as câmeras instaladas nos uniformes dos integrantes da PM — política que, aliás, reduziu a violência, de acordo com estudos. O governador chegou a colocar em dúvida o uso do equipamento, mas agora afirmou que a ação colocada em prática pela gestão de Doria será mantida.
— Hoje não tenho dúvida de que é um avanço para a polícia de São Paulo e para o cidadão.
Rodrigo também foi perguntado se vai “esconder” que tem o apoio de Doria durante a campanha, já que os adversários já começam a tentar colar a rejeição do antecessor no governador. Segundo pesquisa do instituto Datafolha, 66% dos eleitores não votariam num candidato apoiado por Doria.
O governador afirmou que a eleição presidencial não pode pautar o debate político no estado e disse que São Paulo “não vai aindar na garupa de ninguém”.
— Não sou candidato de A ou B. Sou candidato da minha história e por tudo que penso. São Paulo não vai andar na garupa de ninguém nas eleições nacionais. Tem o debate nacional, mas não se trata de discutir o Brasil — afirmou o governador.
Para se desvincular do antecessor, Rodrigo tem lembrado que também foi secretário do ex-governador Geraldo Alckmin e trabalhou também na gestão de Mário Covas.
O governador ainda foi instado a falar sobre outro como vê união entre o ex-governador Geraldo Alckmin, de quem foi secretário de Assistência Social, e o ex-presidente Lula. Para Rodrigo, Alckmin cometeu um erro.
— Respeito a história do Geraldo Alckmin, mas não faria o que ele fez. Sem dúvida (é um erro). Infelizmente, o doutor Geraldo resolveu buscar outro caminho. Eu lamento, mas continuo defendendo as bandeiras que sempre defendi da social democracia.
Na saúde, Rodrigo disse que apesar da alta do aumento de 45% na média móvel de mortes por Covid-19 no estado, não há hoje no horizonte a possibilidade de medidas restritivas. Por enquanto, ele ainda afirmou que “está descartado” a possibilidade da volta do uso de máscaras — hoje a exigência só ocorre no transporte e nos hospitais públicos.
— Quando vem a vacina, que resolveu o problema da pandemia, você deixa de lado o distanciamento social. Não tem no horizonte expectativa de medida restritiva.
Ele ainda defendeu as medidas de quarentena impopulares adotadas durante o governo Doria durante a pandemia.
— A única medida que tínhamos pra combater a pandemia era o distanciamento social e a quarentena.
O governador ainda a perguntas curtas sobre seu posicionamento sobre temas de comportamento, saúde, segurança, transporte e privatização.
Rodrigo disse ser contra o aborto e a descriminalização da maconha e a favor do porte de armas apenas no campo. Também prometeu não aumentar a tarifa do transporte público este ano. Afirmou ainda que não vê problemas na cobrança de mensalidades em universidades públicas, mas desde que seja para aumentar o número de pobres nessas instituições.