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Vestibular é só o começo: 4 competências socioemocionais essenciais para a jornada do estudante

Para muitos estudantes, o segundo semestre é marcado pela preparação para o vestibular. Revisões, simulados, provas e decisões sobre qual curso seguir passam a ocupar boa parte da rotina. Embora a aprovação em uma universidade seja o principal objetivo nesse momento, ela também representa o início de uma nova fase, que trará outros desafios e […]

Por Edicase Conteúdo
05/10/2026 18h05, Atualizado há 1 hora

Para muitos estudantes, o segundo semestre é marcado pela preparação para o vestibular. Revisões, simulados, provas e decisões sobre qual curso seguir passam a ocupar boa parte da rotina. Embora a aprovação em uma universidade seja o principal objetivo nesse momento, ela também representa o início de uma nova fase, que trará outros desafios e escolhas importantes.

Ao longo dessa trajetória, será necessário adaptar-se ao ambiente universitário, definir caminhos profissionais, participar de processos seletivos, enfrentar entrevistas de emprego, aprender a trabalhar em equipe e lidar com as mudanças que fazem parte da vida acadêmica e profissional.

Uma pesquisa da Catho apontou que 79% dos jovens entre 18 e 24 anos se sentem inseguros sobre suas próprias habilidades ao procurar emprego. Ao mesmo tempo, o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 39% das habilidades essenciais no mercado de trabalho devem mudar até 2030. O relatório coloca pensamento analítico, resiliência, flexibilidade, liderança e pensamento criativo entre as principais competências exigidas pelos empregadores.

A necessidade de uma formação mais ampla aparece também na própria trajetória universitária. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que, entre os estudantes que ingressaram em cursos de graduação em 2015, acompanhados por dez anos, a taxa de desistência chegou a 62% nas instituições privadas e 53% nas públicas. Embora a evasão tenha múltiplas causas, os números reforçam a importância de ajudar os jovens a compreender seus interesses, fazer escolhas conscientes e desenvolver autonomia antes e durante a transição para a vida adulta.

“Preparar para a universidade é importante, mas não pode ser o único objetivo. O estudante também precisa desenvolver recursos para entender quem é, fazer escolhas, lidar com frustrações, trabalhar com outras pessoas e se adaptar a situações que ainda nem conseguimos prever”, afirma Eric Rodrigues, coordenador pedagógico de Ensino Médio da Avenues São Paulo.

Abaixo, o profissional lista competências socioemocionais essenciais para a jornada do estudante:

1. Autoconhecimento para fazer escolhas

Escolher um curso ou uma carreira exige mais do que conhecer as opções disponíveis. É importante que o estudante reconheça seus interesses, pontos fortes, desafios e valores.

2. Criatividade para encontrar soluções

No mercado de trabalho, saber lidar com problemas para os quais não existe uma resposta pronta será cada vez mais importante. O Fórum Econômico Mundial coloca o pensamento ativo como a quarta competência essencial mais citada pelos empregadores. “Desenvolver a criatividade, portanto, não significa apenas estimular atividades artísticas, mas ensinar o estudante a formular hipóteses, testar possibilidades e encontrar diferentes caminhos”, diz Eric Rodrigues.

Jovem branca de cabelos cacheados sorrindo enquanto escreve em um bloco de anotações em frente a um notebook aberto, em um ambiente ilimitado à noite.
É importante trabalhar a habilidade de comunicar ideias (Imagem: Halfpoint | Shutterstock)

3. Comunicação e colaboração

Uma entrevista de emprego, uma apresentação ou um primeiro projeto profissional exigem a capacidade de comunicar ideias e trabalhar com pessoas diferentes. “A experiência escolar pode oferecer situações para que os jovens aprendam a ouvir, argumentar, receber feedback e construir soluções coletivamente. Nesse processo, empatia e pensamento crítico tornam-se ferramentas importantes”, explica Eric Rodrigues.

4. Resiliência para lidar com erros e mudanças

A entrada na universidade e no mercado de trabalho envolve frustrações, escolhas que podem precisar ser revistas e situações inesperadas. Aprender a lidar com erros sem interpretá-los como um fracasso definitivo é parte da construção da autonomia. O próprio Fórum Econômico Mundial destaca resiliência, flexibilidade e agilidade entre as competências centrais valorizadas pelos empregadores.

A proposta não significa diminuir a importância dos conteúdos acadêmicos ou dos processos seletivos. O conhecimento necessário para uma boa prova continua sendo fundamental. A questão é ampliar a perspectiva sobre o que significa estar preparado.

“O vestibular é uma porta de entrada, não uma linha de chegada. Quando o jovem conta com um ambiente seguro para cuidar da saúde mental e construir relações equilibradas, ele desenvolve a autonomia necessária para navegar os desafios acadêmicos e aproveitar as oportunidades que surgirão depois da aprovação”, conclui Eric Rodrigues.

Por Kainá Spyridion

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