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Time Mogi/Bunkyo mantém a tradição do beisebol na cidade

A prática do beisebol, um dos legados da centenária história da imigração japonesa em Mogi das Cruzes, preserva a tradição na cidade. Ainda que com menor representatividade do que a vivida nos anos de 1990, quando atletas de destaque levavam o nome de Mogi das Cruzes para outras cidades, estados e até países, a modalidade […]

Por O Diário
09/04/2021 13h21, Atualizado há 688 meses

A prática do beisebol, um dos legados da centenária história da imigração japonesa em Mogi das Cruzes, preserva a tradição na cidade.

Ainda que com menor representatividade do que a vivida nos anos de 1990, quando atletas de destaque levavam o nome de Mogi das Cruzes para outras cidades, estados e até países, a modalidade esportiva encontra espaço nos dois campos de beisebol do Centro Esportivo do Bunkyo, no bairro da Porteira Preta.
É lá que um grupo de crianças, com idades entre 6 e 10 anos de Mogi e cidades da região, com descendência oriental ou não, segue os ensinamentos do treinador Tsutomu Akita, 42 anos.

Porém, atualmente, as atividades estão paralisadas em cumprimento às determinações da fase crítica decretada pela Prefeitura Municipal para evitar a disseminação da Covid-19.

Hoje, o Mogi/Bunkyo que já teve representantes de todas as idades, conta apenas com duas equipes: t-bal – formada por crianças entre 6 e 8 anos – e pré-infantil (com jogadores de 9 e 10 anos).

“O beisebol de Mogi já conquistou grandes títulos em campeonatos nacionais, principalmente na década de 90, com destaque para nomes como Yan Gomes, que hoje joga no Washington National, o Kleber Ojima, que jogou em Taiwan, e outros atletas que seguiram no beisebol profissional e semi-profissional japonês, enfatiza Akita.

No entanto, ele conta que, nos últimos anos, o trabalho estava focado na reformulação da equipe de base, mas a pandemia afetou este trabalho. 

“Estávamos preparando o pré-infantil para os campeonatos quando os treinos, que aconteciam aos finais de semana foram interrompidos pela pandemia. Com as mudanças de fases, chegamos a retomar as atividades aos domingos, seguindo os protocolos, mas sem competições oficiais marcadas. Agora, tudo parou de novo, porque a prática de atividades esportivas está proibida nesta fase”, lamenta ele, que foi diretor do Mogi/Bunkyo e atualmente é conselheiro da equipe.

Akita conta que a tradição do beisebol também já foi mais forte nas demais cidades do Alto Tietê. “Suzano teve equipe e disputou campeonatos, mas agora não tem mais e o pessoal de lá vem para cá. Na região, só Arujá mantém dois times, o Nippon Country Club e o Gecebs. Depois, há equipes apenas em São Paulo”, diz.

O último torneio no Centro Esportivo do Bunkyo reuniu crianças de 7 e 8 anos, em novembro de 2019. “Foi um festival, com foco na motivação e incentivo. Estávamos nos preparando para voltar pra valer em 2020 e 2021, com estas crianças nas idades de 9 e 10 anos, mas a pandemia mudou os planos e o calendário oficial da Confederação Brasileira de Beisebol está parado até junho”, conclui Akita

Tradição

Em Mogi das Cruzes, o beisebol passou a ser praticado com a chegada dos primeiros imigrantes japoneses, a partir de 1919, nas associações de bairro, logo criadas para a preservação das tradições orientais.

Disciplina e companheirismo em campo e na família

Ensinamentos como disciplina, companheirismo e espírito de equipe, além do desenvolvimento físico e o trabalho psicológico sobre motivação, vitórias e derrotas fazem parte da filosofia da prática do beisebol. “Com o esporte, aprendemos muito a lidar com várias situações da vida”, avalia o mogiano Tsutomu Akita, 42 anos, conselheiro do time Mogi/Bunkyo.

Em sua família, a tradição da modalidade esportiva também marcaou gerações. Aos 6 anos, ele iniciou no time de beisebol da Associação Cultural de Mogi das Cruzes – Bunkyo, seguindo os passos do pai, Kuniaki Akita, atualmente com 77 anos, e do irmão, Sérgio Shigueru Akita, 45, que jogou até os 25 na equipe semi-profissional do Japão, onde mora. 

Desde cedo envolvido no universo do beisebol mogiano, assim como os primos, Tsutomu também passou a tradição aos dois filhos, Ichiro, 9, e Caio, 7, que hoje fazem parte do time Mogi/Bunkyo.
Na avaliação de Akita, assim como em outras modalidades esportivas, a participação da família é peça-chave para o bom desempenho dos atletas.

“O acompanhamento nos treinos e campeonatos une pais e filhos e também faz com que as crianças se sintam mais motivadas, ao mesmo tempo que oferece aos pais a oportunidade de ver de perto o desenvolvimento de seus filhos. Isso é muito importante”, enfatiza o conselheiro da equipe que deve representar Mogi das Cruzes nos campeonatos da Confederação Brasileira de Beisebol, tão logo as competições possm ser retomadas.

A meta é aumentar o número de adeptos na cidade a fim de fortalecer o Mogi/Bunkyo. “O beisebol é um esporte de tradição oriental, mas não precisa ter descendência para praticá-lo. Estamos de portas abertas a quem quiser conhecer e fazer parte da equipe. Assim que os treinamentos puderem ser retomados, estaremos de volta ao campo com foco no preparo do time para disputar, pelo menos, três estapas do Campeonato Brasileiro da Confederação”, destaca Akita.

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