Raphael Veiga merece espaço na seleção
O futebol já produziu inúmeras “injustiças”, como o fato de Alex nunca ter disputado uma Copa do Mundo. Meia cerebral, técnico e decisivo, ele acabou ficando de fora das listas de convocados. Em 2002, todos tinham seu nome como certo: Felipão era o comandante e os dois se conheciam muito bem desde os tempos de […]
19/05/2022 10h18, Atualizado há 688 meses
O futebol já produziu inúmeras “injustiças”, como o fato de Alex nunca ter disputado uma Copa do Mundo. Meia cerebral, técnico e decisivo, ele acabou ficando de fora das listas de convocados. Em 2002, todos tinham seu nome como certo: Felipão era o comandante e os dois se conheciam muito bem desde os tempos de Palmeiras. No entanto, Alex não ficou entre os 23 jogadores que foram para a Coreia do Sul e Japão – nem quando Emerson teve de ser cortado, Alex foi lembrado. Na ocasião, Felipão preferiu levar o meia Ricardinho. Tentar acertar a lista de convocados, aliás, é uma das tarefas mais divertidas do futebol. Se você gosta de fazer previsões esportivas, leia mais sobre as possibilidades de entretenimento esportivo.
Agora, 20 anos depois, um outro meia canhoto, decisivo e ligado ao Palmeiras pode sofrer injustiça e ficar de fora da lista de convocados. Há pelo menos três anos Raphael Veiga vem jogando um futebol de alto nível e sempre correspondendo quando a equipe precisa dele. Fez gols nas finais da Supercopa (2021), Libertadores (2021), Mundial de Clubes (2021), Campeonato Paulista (2022), além de participar de jogadas decisivas e apresentar um futebol técnico, que agrada os torcedores.
É claro que o futebol brasileiro produz muitos talentos e, inevitavelmente, grandes jogadores serão preteridos pelos técnicos. Veiga compete com Philippe Coutinho, Lucas Paquetá, Bruno Guimarães e até com jogadores de frente, como Antony, Raphinha e Vinícius Jr. Embora sejam talentosos, eles não estão no mesmo nível dos atletas que competiam com Alex (Ronaldinho, Rivaldo, Juninho Paulista…). E, pelo passado recente, Veiga está à frente da maioria de seus concorrentes.
Não é exagero dizer que se o meia palmeirense estivesse jogando 70% de seu futebol atual em um time médio da Espanha, ele seria nome constante nas convocações. Se o principal jogador do time bicampeão da Copa Libertadores da América, a competição mais importante do continente, não merece ser lembrado pela seleção brasileira, então realmente há algo muito errado com o nosso futebol.
A convocação de Raphael Veiga não lhe faria somente justiça, como seria saudável para o futebol brasileiro. Isso porque sinalizaria aos atletas que é possível jogar no Brasil e conquistar seu espaço na seleção e disputar uma Copa do Mundo. Veiga não ser lembrado por Tite, ao contrário, mostra aos outros jogadores que é preferível aceitar uma proposta de qualquer time mediano da Europa do que jogar em território nacional. E isso faz com o que nossos clubes não sejam opções interessantes para jatletas que ainda têm ambições no esporte.
Caberá a Tite decidir quem serão seus homens de confiança. Mas, vinte anos após a injustiça com Alex, faria bem para o futebol brasileiro que Raphael Veiga fosse para o Mundial do Catar.