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O carrossel holandês

Hoje em dia a coisa mais comum é ouvirmos falar sobre inovações táticas e formas diferentes de estratégias em campo. Mas na década de setenta isso era algo pouco comentado, digo até improvável. Quem chegou para mudar esta história toda foi a inovadora seleção holandesa na Copa do Mundo da Alemanha Ocidental em 1974, dirigida pelo […]

Por O Diário
27/08/2021 13h53, Atualizado há 688 meses

Hoje em dia a coisa mais comum é ouvirmos falar sobre inovações táticas e formas diferentes de estratégias em campo. Mas na década de setenta isso era algo pouco comentado, digo até improvável. Quem chegou para mudar esta história toda foi a inovadora seleção holandesa na Copa do Mundo da Alemanha Ocidental em 1974, dirigida pelo técnico Rinus Michels.

Uma equipe que marcou época no cenário internacional com um futebol dinâmico e diferente de tudo aquilo que o mundo havia presenciado, tendo como peça chave o craque polivalente Johan Cruijff, genial na defesa, no meio de campo e no ataque. Além de Cruijff possuía ainda outras feras como Haan, Rensenbrink, Rep e Neeskens.

A base da equipe era dividida entre o Feyenoord e o Ajax, campeões mundiais interclubes nos anos de 1970 e 1972 respectivamente. A Holanda trazia uma proposta de jogo em que todos atacavam e todos defendiam.

Os jogadores não possuíam posição fixa no gramado, acuavam o adversário no campo de defesa, pressionavam a saída de bola e atacavam com enorme velocidade. A equipe ficou sendo conhecida como “Laranja Mecânica” ou “Carrossel Holandês”.

Na estreia do mundial contra o Uruguai, no dia 15 de Junho de 74 em Hanover, a Holanda venceu por 2×0 com dois gols de Rep, abalando o mundo logo na estréia com o seu futebol inovador. Em uma época ainda distante da internet e dos meios instantâneos de comunicação, tudo aquilo era novidade para o resto do mundo.

Terminou em primeiro lugar no grupo 3 a frente de Suécia, Bulgária e Uruguai. Na segunda fase passou com folgas sobre Argentina,4×0, Alemanha Oriental, 2×0, e Brasil. Aliás contra o Brasil foi um passeio técnico. A seleção de Zagallo jogando com os louros de 70 e contando com craques remanescentes do tri, como Rivellino e Jairzinho, mesmo abusando da violência de seus defensores desnorteados com o esquema de Michels, não conseguiu parar o ímpeto holandês, resultado: 2×0 Holanda, Brasil eliminado.

Na final realizada no dia 7 de Julho de 1974 em Munique, a Holanda era franca favorita, mesmo jogando contra a dona da casa Alemanha Ocidental. Chegou a abrir o placar com Neeskens, cobrando pênalti. Porém a Alemanha Ocidental com gols de Breitner e Gerd Muller virou a partida ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa só deu Holanda, mas o lendário arqueiro germânico Sepp Maier fechou o gol, garantindo o caneco alemão.

O que teria levado a poderosa e moderna Holanda a ter perdido uma Copa tão ganha? Talvez tenha tropeçado em seu próprio ego, algo comum naquela seleção, assim como o seu futebol magistral.   

algmartinez@bol.com.br    

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