Futebol feminino: modalidade quer oportunidades e Mogi está em final
A Copa do Mundo Feminina Fifa 2023 supera edições anteriores. Lideradas por Marta em sua última participação, as “Guerreiras” do Brasil buscam a primeira estrela, estreando nesta segunda-feira (24). O quadro do Mundial destaca o futebol feminino, ainda marcado por barreiras. Não é preciso olhar para longe para encontrar os desafios (ou os talentos) das […]
24/07/2023 07h07, Atualizado há 688 meses
A Copa do Mundo Feminina Fifa 2023 supera edições anteriores. Lideradas por Marta em sua última participação, as “Guerreiras” do Brasil buscam a primeira estrela, estreando nesta segunda-feira (24). O quadro do Mundial destaca o futebol feminino, ainda marcado por barreiras. Não é preciso olhar para longe para encontrar os desafios (ou os talentos) das mulheres no futebol. Mogi das Cruzes já revelou grandes nomes, é representada em campeonatos importantes e carrega histórias que mostram a dedicação necessária das jogadoras. Com a maré de mais visibilidade, a expectativa é que as oportunidades na modalidade também cresçam.
O futebol feminino está em evidência neste mês em Mogi. Na esteira da Copa, a cidade é palco de palestras e vivências nesta semana. Time da cidade, o Complexo Vila Nova União, do projeto social esportivo da Associação Nova Esperança (ANE), está na final da Taça das Favelas Alto Tietê contra o Complexo Margarida, de Ferraz. A decisão será no próximo dia 30, no Nogueirão – gramado mais do que conhecido pelas mogianas.
A meia atacante do Sub20 e time adulto da ANE, Leticia Ribeiro Melo, a ‘Netinha’, é otimista e conta ter visto evolução na modalidade nos últimos anos. “Antes não tínhamos tantos campeonatos. Estão surgindo oportunidades”, comenta.
Netinha conta que o time conseguiu o último objetivo, de chegar até a final da Taça das Favelas. Agora, a meta é levar o troféu para a casa. “Estamos trabalhando bastante, buscamos demais a classificação e queremos trazer esse título para a cidade”, conta a jogadora.
“A Copa, com certeza, é um incentivo para todo mundo que quer jogar bola”, conta ela, que sonha em ser jogadora de futebol profissional ou trabalhar neste meio.
‘Netinha’ está há cinco anos no projeto da ANE. Começou na categoria Sub17, após conhecer o projeto na rede social e não parou mais.
Os treinos “são puxados” conta ela. “Futebol é coisa séria, então tem que ser assim mesmo. Todas têm objetivos”, relata.
Muitas das colegas enfrentam dificuldades. “Até os 17 anos, os pais ajudam. Depois disso vêm cobranças; às vezes dizem que o futebol não leva a nada”, relata. Hoje, avalia ela, surgem mais oportunidades, mais clubes contratando e novos horizontes se abrindo.
Na avaliação do presidente da ANE e técnico do time feminino, Rogério Davi dos Anjos, a Taça das Favelas é um tipo de competição que precisa ser multiplicada.
“Com isso, eu vejo que o futebol feminino tem oportunidade para se firmar. É uma modalidade que precisava disso, para mostrar que dá para jogar uma competição de nível técnico bom, bem apresentável. Tem qualidade técnica, sim”, frisa o técnico.
Ele, porém, destaca que os campeonatos ainda são escassos, mas não por falta de talentos.
“Estou há anos trabalhando com o futebol. Às vezes aparecem meninas daqui com um talento maravilhoso e eu me pergunto: ‘Como moro em Mogi e nunca tinha visto essa moça jogando?’. Elas não aparecem por falta de competições”, pontua.
Apesar disso, a procura de garotas que querem treinar futebol em Mogi é constante, e a Copa deve incentivar ainda mais.
“As meninas que gostam de jogar na porta de casa, nas quadras da escola, vão assistir e sonhar em jogar futebol na Seleção Brasileira”, pontua.
Com otimismo para o futuro, as dificuldades no presente não se baseiam apenas na falta de campeonatos, mas também na falta de dinheiro. O preço das passagens para o treino pesa no bolso das atletas.
A ANE é um projeto social que oferece aulas de futebol gratuitamente em diferentes pontos de Mogi. Os treinos acontecem praticamente toda a semana. São mantidas parcerias com a Prefeitura e empresas. A associação precisa de jogo de cintura para arrecadar verba, planejando eventos, rifas e afins.
Atende a mais de 350 alunos, sendo 60 garotas. O foco principal é nas categorias de base, mas a equipe mantém o time adulto – que além da Taça das Favelas também disputou outros campeonatos neste ano, como os Jogos Estaduais e da Juventude.
“Estamos sempre nos unindo, dando um jeito. Nós competimos com times profissionais, com enorme estrutura, não podemos deixar de treinar por falta de dinheiro, então organizamos eventos. As garotas vendem rifas”, explica Rogério.
O foco maior na base, explica Rogério, vem da dificuldade das adultas em conciliar o esporte com o trabalho. “Para os meninos, é mais fácil conseguir o primeiro emprego, em obra, jardinagem. Já as mulheres precisam de mais formação. Elas têm que aceitar as oportunidades que aparecem”. Mesmo assim, muitas ralam para jogar nas folgas.
O lema do projeto da ANE, conta Rogério, é a inclusão – uma bandeira muito levantada nesta Copa do Mundo.
A associação diz que não realiza peneiras para as meninas interessadas. “Todos que comparecerem serão atendidos e farão parte do projeto”, garante Rogério. Se a menina gosta de jogar bola, será bem-vinda”, garante o presidente.
Os treinos femininos da ANE acontecem em dois locais distintos. No Centro Esportivo de Braz Cubas, são realizados treinos às terças e quintas, das 14h às 17h para meninas de 12 a 17 anos.
Graças a uma parceria, na A.A. Comercial, no Mogilar, as atividades ocorrem nas quartas e sextas-feiras, das 8h30 às 10h40, atendendo meninas de 7 anos a 14 anos de idade. Às 14h começam os treinos para meninas de 12 anos a 17 anos. Por lá, também acontecem treinos aos sábados, das 8h às 10h para 7 a 11 anos e das 10h30 às 14h30 para 12 a 14 anos.
Para mais informações sobre o projeto da Associação Nova Esperança, interessados podem entrar em contato por meio das redes sociais no Facebook e Instagram (ane_mogi) ou pelo WhatsApp, pelo número (11) 9 3090-0894. O projeto conta com a ajuda de pessoas e empresas. Interessados em apoiar de alguma forma também podem entrar em contato pelos mesmos canais.
A Copa
A estreia do Brasil será na segunda-feira, 24 de julho, às 8h (horário de Brasília), contra o Panamá. A partida será no Hindmarsh Stadium, em Adelaide. Na sequência, a seleção feminina enfrentará a França, no dia 29 (sábado) às 7h, no Sidney Football Stadium, em Sidney.
Na última rodada da primeira fase, o Brasil encara a Jamaica, no dia 2 de agosto, uma quarta-feira, às 7h, no Melbourne Rectangular Stadium, em Melbourne.
O Brasil é uma das sete nações que participaram de todas as oito Copas do Mundo femininas. Na edição deste ano, a primeira com 32 seleções e disputada em dois países, as brasileiras foram sorteadas no Grupo F.
Marta, 37 anos, é o elo da atual geração com o time vice-campeão mundial (2007) e olímpico (2004 e 2008). É a primeira vez que a craque disputa um campeonato deste nível sem ter a volante Formiga e a atacante Cristiane.
‘Donas da bola’
Neste domingo, a partir das 15h00, o Sesc Mogi, no Socorro, promove o ‘Freestyle das Minas: Vivência de Futebol Freestyle’. Variações, criatividade, uso e expressão do corpo de diversas formas revelam a beleza do jogo e é justamente isso que a agenda se propõe a mostrar, gratuitamente.
Nessa ação, o Sesc convida Karine Duarte e Jacke Dias, com grande experiência na modalidade, para uma apresentação especial.
Na última quarta-feira (19), a unidade promoveu um bate-papo sobre histórias e conquistas do futebol feminino, modalidade que não está alheia ao contexto histórico e social do país e ao modo como as mulheres são tratadas em diversos contextos. Conforme destacado, obstáculos, percalços, desafios e lutas permitiram que a prática do esporte ganhe cada vez mais adeptas e importância.
O bate-papo ‘Donas da Bola’ contou com a participação de Solange Bastos, ex-atleta da seleção brasileira, e Tatiana Sacilotti, árbitra FIFA, com mediação de Ellen Moraes Scherrer, Especialista em Pedagogia do Esporte, Psicologia do Esporte e Monitora de Esportes do Sesc Ipiranga.
A unidade de Mogi deve continuar com novidades sobre o universo do futebol feminino ao longo das próximas semanas, na esteira da Copa.