Corinthians/ Mogi, do futebol de amputados, vai em busca de mais títulos em 2022
O Corinthians/ Mogi, expoente nacional do futebol de amputados, passa por reestruturação e vem forte para a temporada de 2022. O time da casa está de volta aos treinos, realizados aos sábados no Parque da Cidade, no Parque Santana. Acaba de anunciar três reforços e deve divulgar a contratação de mais jogadores na próxima semana. […]
30/01/2022 16h48, Atualizado há 688 meses
O Corinthians/ Mogi, expoente nacional do futebol de amputados, passa por reestruturação e vem forte para a temporada de 2022. O time da casa está de volta aos treinos, realizados aos sábados no Parque da Cidade, no Parque Santana. Acaba de anunciar três reforços e deve divulgar a contratação de mais jogadores na próxima semana. Também renovou com nomes como o técnico Rodrigo Oliveira, atual comandante da Seleção Brasileira da modalidade, e o capitão e artilheiro Rogerinho R9.
O time espera um ano mais movimentado e, consequentemente, mais chances de títulos. Vale lembrar que por trás do projeto não está apenas a ‘competitividade’. A iniciativa busca promover a inclusão e recomeço para os atletas participantes, sendo um exemplo para o Alto Tietê. Isso não significa que os treinos não carregam todas as caracteristicas dos demais esportes de alta performance. O trabalho de todos é duro e isso pode ser observado na quantidade de títulos já conquistados pelo elenco.
De volta aos gramados e aos treinos desde o último dia 15, o Mogi estreia em fevereiro no Campeonato Paulista contra o Ourinhos, em partida a ser disputada na cidade de Guarulhos.
“Vamos seguir firmes no treino para irmos fortes este ano”, comentou o capitão Rogerinho.
Se for bem nesta competição, o time conquista vaga na Super Copa do Brasil, também a ser realizada neste primeiro semestre.
O Corinthians Mogi, há tempos, é referência na modalidade. Amargou, porém, queda no número de competições nos últimos dois anos afetados pela pandemia – assim como aconteceu nos outros esportes.
Em 2019, antes da Covid-19, o Mogi havia conquistado todos os cinco campeonatos que disputou. Mais recentemente, em novembro do ano passado, o clube faturou a Taça da Amizade de forma invicta. Para 2022, a expectativa é voltar a levantar novos canecos.
O técnico Rodrigo Oliveira diz que o time está “esperançoso” para a retomada das competições. “A gente que trabalha com o esporte de alto rendimento depende da competição. É a esperança”, comenta ele.
Oliveira explica que o time passou por um processo de reestruturação. “Temos jogadores novos, jogadores que vieram de outros times e muitos que evoluíram. Atualmente, a equipe conta com 13 jogadores. A meta é trabalhar entre 15 a 18 neste ano”. Os reforços anunciados no início de ano foram os atletas Jose Garcia, Bruno Frasão e Serginho S7.
Não se trata apenas de um projeto competitivo: ele mescla a inclusão e busca mostrar para os jogadores que a ‘vida continua, como destaca o técnico Rodrigo. “Muitas pessoas que sofrem a amputação, ou nascem assim, podem acabar pensando que a vida parou. Mas mostramos que a vida continua. É possível achar um propósito, ser bom e evoluir. Focamos muito nesta parte e os jogadores mostram, todos os dias, que são capazes. Não é por envolver pessoas com deficiência que os treinos são mais leves. Seguimos as mesmas características de um time de futebol convencional”, comenta Oliveira.
“Trabalhamos com muito foco, independentemente da condição da pessoa”, finaliza ele.
O projeto do clube já completou uma década. Teve início em 2009. Em meados de 2015 o time fechou parceria com o Sport Club Corinthians. Esse foi o primeiro grande clube brasileiro de futebol a dar apoio ao futebol de amputados, dando exemplo para outros grandes brasões.
Trajetória de craque
Rogerinho R9, ganhou destaque no mundo da bola. Não à toa: hoje é o maior artilheiro do mundo no futebol de amputados. Já soma 569 gols. Isso “só com o pé direito”, brinca ele.
Hoje joga com a camisa da Seleção Brasileira e também do Corinthians/ Mogi.
Foi com força de vontade que foi achando espaços até ficar bem conhecido nesse universo. Tem presença carimbada em todos, ou em quase todos os Jogos das Estrelas. Lá, ele já teve oportunidade jogar com Neymar, Ronaldinho Gaúcho e outros.
Natural de Mogi, Rogerinho nasceu sem a perna esquerda devido a um quadro congênito. Começou a jogar futebol aos 7 anos, mesmo sem conhecer a modalidade para pessoas amputadas.
Jogava em meio a crianças sem nenhuma deficiência e, no início da careira, se viu frustado por não poder disputar campeonatos oficiais de futebol.
O atleta começou sua trajetória na modalidade, no ano de 2001, onde ganhou destaque logo nos primeiros torneios.
Representando o Brasil, já foi campeão da Copa América e Copa das Confederações, tendo disputado também três Copas do Mundo.
Em entrevista para O Diário, ele lembra o projeto do Corinthians Mogi: o time existe desde 2009, antes da parceria com o Timão. “Em 2015 tive a sacada de fazer o contato, com um grande clube. O Corinthians fechou, sendo o primeiro grande time a apoiar o futebol de amputados”.
Ele fala da importância do time: “Não é só um projeto de futebol. Visamos a área social. Mostramos para jogadores que podem voltar a sociedade, ter a mostrar que a vida continua.
Agradece o apoio da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de Mogi, que “está conosco desde o início”.
Cita que muitos nomes fazem o time acontecer. Agradece o apoio da psicóloga Juliana Jacques. Dos fisioterapeutas William Maia, Felipe, Quintiliano. Do auxiliar técnico William e também do treinador de goleiros Bruno Dias.
Em março, ele deverá disputar novamente as Eliminatórias da Copa do Mundo de futebol de amputados, na Colômbia.
Sete paises da América do Sul brigam pela vaga para a Copa do Mundo.
Segue conduzindo o projeto de Futebol de Amputados em Mogi para outros indivíduos com as mesmas dificuldades que ele encontrou no início de sua jornada.
R9 é atualmente hexacampeão da Copa do Brasil, hepta Paulista, penta Brasileiro, além de ter conquistado quatro vezes a Taça da Superação e a Taça da Cidade, de Mogi das Cruzes.